AS LICENCIATURAS PRESENCIAIS EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS NO ESTADO DE GOIÁS: DADOS INICIAIS
16Resumo: O objetivo deste trabalho foi apresentar uma caracterização inicial das IES que ofertam as licenciaturas presenciais em Ciências Biológicas no Estado de Goiás. A metodologia da pesquisa é de natureza qualitativa, de caráter exploratório, pretendendo compreender os documentos que balizam os cursos analisados. Ao todo, o e-MEC indica 23 licenciaturas presenciais em Ciências Biológicas nas Instituições de Ensino Superior (IES) de Goiás, sendo que 16 estão ativas. Além disso, identificamos informações divergentes entre o e-MEC e os documentos nos sites das IES e que os documentos que regulamentam o curso, como projeto de curso e regulamentos de estágio, não obrigatoriamente estão disponíveis no site da instituição e do curso.
Palavras-chave: Ciências Biológicas. Ensino Superior. Estágio Supervisionado.
1 INTRODUÇÃO
A formação inicial propicia nas atividades do estágio curricular obrigatório do licenciando a articulação entre o saber e o saber fazer (Scalabrin; Molinari, 2013; Cardoso et al., 2011). Com base nas reflexões de Pimenta e Lima (2011), há uma dicotomia entre teoria e prática durante o estágio, que interferirá na formação dos futuros professores. Essa dicotomia estabelece espaços desiguais de poder na estrutura curricular, atribuindo maior importância à carga horária de prática, o que pode resultar em uma formação inadequada. Portanto, é importante superar essa dicotomia teoria/prática e integrar esses dois aspectos da formação de professores durante o estágio curricular, construindo espaços de práxis.
A práxis é a interação permanente entre teoria e prática, nesta lógica minimiza o distanciamento de ambas, e equívocos que limitam a prática à reprodução do senso comum com ausência de embasamento científico.
[...] não é atividade prática, mas teórica, instrumentalizadora da práxis docente, entendida esta como atividade de transformação da realidade. Nesse sentido, o estágio curricular é atividade teórica de conhecimento, fundamentação, diálogo, e intervenção na realidade, esta, sim, objeto da práxis. Ou seja, é no contexto da sala de aula, da escola, do sistema de ensino e da sociedade que a práxis se dá (Pimenta; Lima, 2011, p. 45).
O estágio curricular obrigatório é apontado como um momento e processo importante para a formação de professores, visto que proporciona aos licenciandos uma aproximação com a realidade escolar, de modo a experimentar suas primeiras práticas pedagógicas, construção de saberes e competências, bem como apreensão do conhecimento teórico e reflexões críticas (Raymundo, 2013, Pimenta; Ghedin, 2006). No entanto, é importante destacar que somente o estágio curricular não é suficiente para aproximar os estudantes da licenciatura ao ambiente escolar, necessitando de outras propostas de ensino e aprendizado na docência, uma vez que os estudantes podem apresentar inseguranças quanto à docência durante o período dos estágios curricular obrigatório (Rosa et al., 2012).
17Este trabalho apresenta os resultados preliminares de projeto de pesquisa em andamento intitulado “A Organização e o Desenvolvimento do Estágio Curricular em Licenciaturas que Formam Professores de Ciências da Natureza no Estado de Goiás”, financiado pela FAPEG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás) e coordenado pelo prof. Marcos Vinicius Ferreira Vilela. Sob a orientação da professora Adda Echalar, enquanto integrante da pesquisa, o projeto se desdobra em dois planos de trabalho de iniciação científica (IC) vinculados à UFG: um PROLICEN que discutirá “O Estágio Curricular nas Licenciaturas em Ciências Biológicas Brasileiras: o que dizem as pesquisas acadêmicas?”, uma IC Júnior do ensino médio, que versará sobre “O estágio curricular obrigatório em licenciaturas dos cursos da área de Ciências da Natureza no estado de Goiás: um estudo exploratório” e uma tese, ainda em processo de sistematização, pelo PPGECM UFG.
Neste contexto, o presente texto objetiva elucidar a situação atual das licenciaturas em Ciências Biológicas no estado de Goiás: quais são as instituições que oferecem cursos, como estão distribuídas as cargas horárias e que os documentos públicos oficiais estão disponíveis para consulta.
2 PERCURSOS DA PESQUISA
Este estudo é de natureza qualitativa e de cunho exploratório por se tratar de uma metodologia cuja finalidade é permitir maior proximidade com o objeto de pesquisa, explicitando-o. De modo a compreender o objeto de pesquisa, foi realizado um levantamento do universo da pesquisa sobre o ECO no Sistema de Regulação do Ensino Superior, no site do e-MEC verificando quais IES do Estado de Goiás oferecem a Licenciatura de Ciências Biológicas (LCBio), de modo a explicitar dados gerais sobre a oferta dessas licenciaturas em nosso estado, com a coleta dos seguintes dados.
Após a coleta a análise inicial se deu pelos cursos de Ciências Biológicas, estabelecido a priori de caráter intencional, atendendo ao recorte de pesquisa necessário para este evento. Contemplam IES, que fossem públicas ou particulares, em cursos ofertados de forma presencial no Estado de Goiás.
18Além disso, buscou-se os marcos regulatórios das licenciaturas identificadas, de modo a viabilizar outros estudos, como matriz curricular, regulamento de ECO e plano de ensino de ECO, nota do Enade e ano de avaliação do curso.
3 AS LICENCIATURAS EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS EM GOIÁS
As IES que oferecem LCBio de modo presencial em Goiás, totalizam oito (UFG, IFG, IF Goiano, UEG, UNIP, UFCat, UFJ e PUC Goiás). Destas, seis são públicas, uma é privada e outra é confessional. Estas IES oferecem 23 cursos presenciais encontrados a priori no e-MEC.
Com a busca nos sites das instituições, verificamos que atualmente há 16 licenciaturas presenciais em Ciências Biológicas no site das instituições de ensino superior (IES) do estado de Goiás. Destas, nos sites da IES identificamos os seguintes documentos: 10 projetos de curso, quatro regulamentos de estágio e quatro planos de ensino (Quadro 1).
Quadro 1 - Dados das licenciaturas presenciais em Ciências Biológicas no estado de Goiás. O “x” indica presença do material no site e o “-” a ausência.
| IES / Cidade | CH do curso | PPC | Matriz | ENADE | CH de ECO |
|---|---|---|---|---|---|
| PUC / Goiás | 3200h | - | x | 3 | 400h |
| UNIP / Goiânia | 2800h | x | x | - | - |
| IFG / Águas Lindas | 3268h | x | x | - | 400h |
| IF Goiano / Campus Ceres | 3580h | x | x | 2 | 400h |
| IFG / Campus Formosa | 3145h | x | x | 3 | 400h |
| IFG / Campus Posse | 3343h | x | x | - | 400h |
| IF Goiano / Campus Rio Verde | 3580h | x | x | 3 | 400h |
| IF Goiano / Campus Urutaí | 3345h | x | x | 2 | 400h |
| UEG / UU-Anápolis | 3380h | - | x | 3 | 400h |
| UEG / UU-Iporá | 3380h | - | x | 2 | 400h |
| UEG / UU-Palmeiras de Goiás | 3380h | - | x | 2 | 400h |
| UEG / UU-Porangatu | 3520h | - | x | 2 | 400h |
| UEG / UU-Quirinópolis | 3380h | - | x | 3 | 400h |
| UFCat / Catalão | 3288h | x | x | 3 | 400h |
| UFJ / Jataí | 3792h | x | x | 4 | 400h |
| UFG / Goiânia | 3416h | x | x | 4 | 400h |
Fonte: dados da pesquisa (e-MEC).
Cabe destacar que os documentos públicos, tais como o PPC nem sempre estão disponíveis no site da IES, o que implica baixa transparência dos dados e em um indicativo de dificuldade de estudos sobre as concepções pedagógicas que permeiam os cursos de graduação, os fundamentos da gestão acadêmica, pedagógica e administrativa, bem como os demais princípios educacionais que são vetores de todas as ações a serem adotadas na condução do processo de ensino-aprendizagem dos licenciandos.
19Nos chama a atenção, o fato de ainda termos licenciaturas com carga horária total inferior a 3200 horas, visto que a ampliação da carga horária é uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) do ano de 2015 (DCN n. 002/2015).
Além disso, cabe o destaque para a interiorização das cidades com o curso presencial, em especial, se compararmos com as ofertas de pólos do mesmo curso na modalidade a distância, apresentados no estudo de Baptista et al. (2022). Há, ainda, uma certa centralidade das ofertas na região próxima a capital e baixa inserção do curso na região norte do estado.
4 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
A formação inicial de professores e professoras é objeto de estudo recorrente e importante para a educação. O estágio curricular obrigatório é uma das atividades que mais impactam a constituição da identidade docente durante o processo de formação, e podem apontar caminhos para avançar ou mesmo dirimir as dicotomias entre teoria e prática na atuação docente.
A pesquisa, ainda em fase inicial, busca contribuir com a melhoria no processo de formação de professores, aqui em especial de ciências biológicas em Goiás, a partir do reconhecimento das habilidades e competências necessárias para um ensino de qualidade e adequado à realidade dos licenciandos.
5 REFERÊNCIAS
BAPTISTA, Leandro Vasconcelos; PINHEIRO, Regiane Machado de Sousa; SANTOS, Carine Silva; SILVA, Paulo Henrique Pereira da; BARBOSA, Denise Borges; ECHALAR, Adda Daniela Lima Figueiredo. As licenciaturas a distância em Ciências Biológicas no estado de Goiás: que concepções de formação de professores? In: LIBÂNEO, José Carlos; ROSA, Sandra Valéria Limonta; ECHALAR, Adda Daniela Lima Figueiredo; SUANNO, Marilza Vanessa Rosa (Orgs.). Didática e formação de professores: embates com as políticas curriculares neoliberais. Goiânia: Cegraf UFG, 2022, p. 38-46. Disponível em: https://publica.ciar.ufg.br/ebooks/edipe2_ebook/artigo_15.html
20CARDOSO, Guilherme; COSTA, Juliana Hartleben da; RODRIGUEZ, Rita de Cássia Morem Cóssio. O estágio curricular na formação de professores do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Pelotas. Momento-Diálogos em Educação, v. 20, n. 2, p. 67-79, 2011.
PIMENTA, Selma Garrido; GHEDIN, Evandro (Orgs). Professor Reflexivo no Brasil: gênese e crítica de um conceito. São Paulo: Cortez, 2006.
PIMENTA, Selma Garrido; LIMA, Maria do Socorro Lucena. Estágio e docência. 6 noed. São Paulo: Cortez, 2011.
RAYMUNDO, Gislene Miotto. Prática de Ensino e o Estágio Supervisionado na construção dos saberes necessários à docência. Olhar de Professor, v. 16, n. 2, p. 357-374, 2013.
ROSA, Jeâni Kelle Landre; WEIGERT, Célia; SOUZA, Ana Cristina Gonçalves de Abreu. Formação docente: reflexões sobre o estágio curricular. Ciência & Educação, v. 18, n. 03, p. 675-688, 2012.
SCALABRIN, Izabel Cristina; MOLINARI, Adriana Maria Corder. A importância da prática do estágio supervisionado nas licenciaturas. Revista Unar, v. 7, n. 1, p. 1-12, 2013.
Notas
1.Bolsista Iniciação Científica Júnior, ensino médio, pela Universidade Federal de Goiás (UFG).
2.Bolsista Prolicen da Universidade Federal de Goiás (UFG). Licencianda em Ciências Biológicas pela UFG.
3.Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciência e Matemática, da Universidade Federal de Goiás (UFG).
4. Orientadora e pesquisadora do PPGECM e PPGE UFG. Universidade Federal de Goiás.