ESTRATÉGIAS DE INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: RECONHECENDO E SOCIALIZANDO ALUNOS COM TEA
186Resumo: O Projeto de Mediação Pedagógica Inclusiva é uma das iniciativas elaboradas pelo Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE/UFG), visando a inclusão escolar de estudantes da Educação Básica com deficiência e/ou necessidades educacionais especiais que frequentam suas dependências, incluindo-se aqui o Departamento de Educação Infantil (DEI/CEPAE/UFG). Por meio deste projeto, adotou-se uma série de estratégias tencionando aproximar as crianças do Agrupamento Jacaré, que é composto por crianças entre 4 e 5 anos, de duas crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que também frequentam o grupo. Cabe destacar que incentivar a inclusão desde as primeiras etapas da Educação Infantil, serve como um potencializador para uma sociedade mais justa e disposta a aceitar a diversidade, pois ao propiciar que as crianças convivam com a diversidade desde cedo, garante-se uma certa valorização e respeito ao indivíduo e suas singularidades. Dentre as estratégias/atividades de inclusão aplicadas, houve uma que se destacou mais do que as outras. Tal atividade foi intitulada “Como vejo meus amigos, T. e M.” e teve como objetivo a promoção da inclusão dos alunos com TEA por meio do reconhecimento e da sensibilização das crianças em respeitar as características individuais dos colegas. Utilizando a colaboração e o trabalho em grupo como metodologia ativa, bem como o auxílio da equipe do agrupamento Jacaré, dividiu-se a turma em dois times (Time T. e Time M.), onde cada um deles representaria uma das crianças com TEA. Formados os grupos, cada um deles acompanhado por duas professoras recebeu um envelope com algumas imagens de partes do corpo representando a criança que origina o nome da equipe. Dentro do envelope havia ainda algumas imagens de peças de roupas que deveriam ser pintadas e decoradas pelas crianças de acordo com o que reconheciam ser da preferência da criança que representavam. As crianças deveriam montar o corpinho do colega, desenhando e pintando seus traços/gostos (cabelos, boca, olhos, acessórios, etc.) e em seguida vesti-lo. Durante este processo, as crianças deveriam apontar também se percebiam alguma diferença externa entre eles e os colegas com TEA, o que gostavam nos colegas e se sabiam porque os colegas agiam diferente em determinadas ocasiões. Como resultado, percebeu-se que as crianças já haviam internalizado (por meio de intervenções anteriores) que por serem autistas, os colegas agiam, pensavam e se sentiam diferentes dos demais, representando suas emoções e preferências com maior intensidade; notou-se também que as crianças observavam bastante os colegas com TEA a ponto de saberem suas cores, acessórios e objetos preferidos; houve declarações de amizade e percebeu-se que as crianças, motivadas em descobrir mais sobre os colegas, passaram a procurar de maneira mais regular T. e M. para brincar. Por fim, concluiu-se que a atividade conseguiu aproximar as crianças e garantir que os alunos com TEA fossem incluídos pela turma por meio da curiosidade e do reconhecimento de T. e M. como indivíduos importantes no grupo.
Palavras-chave: Inclusão. TEA. Educação Infantil.
Notas
1.Graduada em Pedagogia, Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera, Graduanda em Geografia Licenciatura, Instituto de Estudos Socioambientais, Universidade Federal de Goiás.
2. Graduanda em Artes Visuais Licenciatura, Faculdade de Artes Visuais, Universidade Federal de Goiás.
3. Doutora em Educação, Universidade Federal de Uberlândia/MG.
4. Doutoranda em Ciências da Saúde, Universidade Federal de Goiás.