Escarlety Marinho Borges
escarletymarinho@discente.ufg.br

Gláucia Vieira Cândido
glaucia_candido@ufg.br

EIXO
Educação Básica, trabalho pedagógico e formação continuada

UM ESTUDO SOBRE A FALTA DE PARALELISMO SINTÁTICO EM TEXTOS DO ENSINO MÉDIO

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Resumo: Este texto apresenta resultados parciais de um estudo, cujo objetivo é investigar um fenômeno gramatical, conhecido como paralelismo sintático, em textos dissertativos-argumentativos produzidos por alunos do ensino médio da rede de ensino da cidade de Goiânia, Goiás. O paralelismo sintático, caracterizado pela repetição de estruturas gramaticais semelhantes em uma mesma frase ou período, é um recurso fundamental para a construção de textos coesos e claros. No entanto, observa-se uma lacuna na discussão desse tema no ensino básico, especialmente no que se refere aos processos de coordenação em períodos compostos. A pesquisa busca, portanto, contribuir para a formação de professores, evidenciando a importância do paralelismo sintático e a necessidade de abordá-lo em sala de aula. Para tanto, tem sido realizada uma revisão da literatura sobre o tema, analisando as diferentes definições de paralelismo encontradas em gramáticas normativas e estudos linguísticos. Em seguida, serão identificados os desvios mais comuns e analisada a frequência com que eles ocorrem nos textos dos alunos. Os resultados esperados são: (1) mapeamento dos principais tipos de desvios de paralelismo identificados nos textos analisados; (2) reflexões sobre as dificuldades encontradas para o emprego adequado desse recurso gramatical nos textos escritos. Ao final, espera-se que este estudo contribua para que docentes, em formação, possam identificar e sanar problemas relativos à falta de paralelismo na produção de textos no ensino médio.

Palavras-chave: Paralelismo gramatical ou sintático. Assimetria de construções. Produção de textos no Ensino Médio.

1 INTRODUÇÃO

O paralelismo sintático ou gramatical é um aspecto que envolve a repetição de estruturas semelhantes que ocorrem, geralmente, nos termos coordenados entre si. Tendo em vista que esse fenômeno é avaliado na correção de textos do nível básico e em processos seletivos, este trabalho tem o objetivo de fazer um breve percurso sobre as definições de paralelismo sintático e verificar suas possíveis ausências em um corpus composto por textos produzidos por alunos do ensino médio da rede de ensino pública e privada do município de Goiânia, Goiás.

É notável, na revisão da literatura sobre o assunto, que o principal autor que iniciou essa discussão foi Garcia (2010). Trabalhos realizados por pesquisadores, como, por exemplo, os de Antunes (2005) e Castilho (2010), apresentam muitas semelhanças com o estudo inicialmente proposto por Garcia (2010). Então, evidencia-se a necessidade de trazer à tona esse tema, na prática, pouco presente em estudos gramaticais da Língua Portuguesa, em particular, em produções textuais de estudantes do ensino médio.

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Assim, neste trabalho, serão analisados textos dissertativos-argumentativos de alunos do ensino médio de Goiânia, a fim de analisar o fenômeno em questão com vistas a contribuir para reflexões de profissionais da área, em particular, os docentes em formação sobre a ocorrência, especialmente, a falta ou falha no emprego desse aspecto gramatical em produções textuais de alunos do ensino médio.

2 METODOLOGIA

Para realização do estudo, inicialmente, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, por meio da qual se faz uma revisão do percurso histórico das concepções de paralelismo sintático, desde os primeiros trabalhos de Garcia (2010) até as abordagens mais recentes. Por meio dessa metodologia inicial, busca-se compreender como o paralelismo, como recurso de coesão e coerência textual, tem sido tratado nas gramáticas normativas e em estudos linguísticos.

De modo geral, essa revisão bibliográfica se concentra nas obras de Bechara (2001), Cunha e Brito (2002), Antunes (2005), Garcia (2010) Castilho (2011), Cegalla (2020) e Rocha Lima (2024). Analisamos como esses autores abordam a coordenação, os pares correlatos e a importância do paralelismo para a construção de frases claras e coesas.

2.1. PRINCIPAIS DEFINIÇÕES DE PARALELISMO GRAMATICAL OU SINTÁTICO

Em Comunicação em Prosa Moderna (Garcia, 2010), livro didático que, segundo Conforte (2017), foi uma das obras mais importantes no que tange à descrição didática do que é o paralelismo, o conceito de paralelismo é dado após apresentação dos processos sintáticos de coordenação e subordinação, na seção “Coordenação, correlação e paralelismo”:

Se coordenação é (...) um processo de encadeamento de valores sintáticos idênticos, é justo presumir que quaisquer elementos da frase – sejam orações sejam termos dela – coordenados entre si, devam – em princípio pelo menos – apresentar estrutura gramatical idêntica. (...) Isso é o que se costuma chamar paralelismo ou simetria de construção. (Garcia, 2010, p. 55)

Para ilustrar sua definição, Garcia apresenta os seguintes exemplos de estrutura, respectivamente, sem (em 1) e com paralelismo (em 2):

  1. É necessário chegares a tempo e que tragas ainda a encomenda.
  2. É necessário que chegues a tempo e (que) tragas a encomenda.

Não muito diferente de Garcia (2010), Antunes (2005) apresenta definição idêntica de paralelismo:

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recurso muito ligado à coordenação de segmentos que apresentam valores sintáticos idênticos, o que nos leva a prever que os elementos coordenados entre si apresentem a mesma estrutura gramatical. (...) É o que se chama, comumente, de paralelismo ou simetria de construção. (Antunes, 2005, p. 62-63)

Para ilustrar a definição, também o exemplo apresentado por essa autora é muito semelhante ao dado por Garcia (1983), tal como transcrito, a seguir:

  1. É conveniente chegares a tempo e trazeres o relatório pronto.

Nesse exemplo, o paralelismo consiste na conjugação dos verbos “chegar” e “trazer”, respectivamente. Para além disso, Antunes (2005) reafirma que o paralelismo não segue uma regra gramatical rígida e possui “caráter coesivo, sintático e estilístico” na articulação do enunciado.

Por fim, em Assimetria de construções e de ideias em textos escolares, Cunha e Brito (2002) reproduziram exatamente as definições apresentadas nos dois trabalhos citados anteriormente, assumindo, assim, tanto a definição quanto à sintaxe como da progressão textual. Assim sendo, na referida obra, paralelismo sintático ou gramatical corresponde a

Paralelismo sintático ou gramatical corresponde a um processo de estruturação verbal o qual concebe que idéias coordenadas (e correlatas) devem ser expressas de modo semelhante. No âmbito da lingüística textual, o paralelismo sintático é um dos recursos que contribui para promover a progressão textual (Cunha e Brito, 2002, p. 161).

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Além disso, os autores preocuparam-se em, além de descrever essas faltas, categorizá-las utilizando como corpus os textos de vestibulandos da Universidade Federal do Pará (UFPA). A seguir, reproduzimos o quadro proposto por esses autores:

Quadro 1 – Categorização de tipos de paralelismo sintático.

Ausência de paralelismo sintático
1 - motivada pela não-similaridade das formas que seguem os elementos do par correlato;
2 - motivada pela omissão ou inadequação de um elemento do par correlato;
3 - motivada pela não-similaridade de segmentos coordenados;
4 - motivada pela não-similaridade de estruturas frásticas justapostas;
5 - motivada pela omissão de vocábulo numa série coordenada;
6 - motivada pela omissão ou inadequação de elemento gramatical;
7 - motivada pela não-correspondência de tempos e/ou modos verbais;
8 - motivada pela colocação do pronome objeto.

Fonte: Cunha e Brito (2002)

O PARALELISMO GRAMATICAL OU SINTÁTICO EM TEXTOS DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO

Ancorada na fundamentação teórica e na categorias oferecidas por Cunha e Brito (2002), o segundo caminho metodológico seguido no estudo consiste na análise do paralelismo sintático em textos dissertativo-argumentativos, produzido por estudantes do ensino médio da cidade de Goiânia, capital do Estado de Goiás.

Os textos analisados fazem parte de um corpus, constituído por redações produzidas por diversos estudantes da rede de ensino pública e privada da capital goiana, por ocasião de um processo seletivo promovido pelo Projeto Politizar, da Faculdade de Ciências Sociais, com ações de extensão da Faculdade de Letras, em uma parceria entre Universidade Federal de Goiás e a Câmara Municipal de Goiânia.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

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Da análise das redações produzidas por alunos do ensino médio na cidade de Goiânia, a qual ainda está em andamento, será possível identificar a ocorrência, os tipos de paralelismo sintático e, em especial, os casos de falta de paralelismo e sua recorrência em textos de alunos do ensino médio. A partir daí, pretende-se verificar se procede a hipótese de que o desconhecimento de parte de alunos sobre a definição desse processo gramatical pode gerar os desvios detectados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste trabalho, apresentamos resultados parciais de um estudo que busca investigar o fenômeno paralelismo sintático na produção textual de alunos do ensino médio. Até o momento, já foi feito um estudo bibliográfico que analisou como esse recurso tem sido tratado nas gramáticas normativas e em outros estudos linguísticos.

A revisão da literatura permitiu até o momento, identificar diferentes concepções de paralelismo e a importância de sua utilização para garantir a coesão e a clareza textual. A análise dos dados do corpus revelou que a ausência de paralelismo é um problema recorrente na produção textual de alunos, especialmente, em relação aos pares correlatos e às séries enumerativas.

A revisão da literatura revelou uma lacuna significativa no que diz respeito à definição e à sistematização do paralelismo sintático nas gramáticas normativas. Embora alguns autores abordem o tema, isso é feito de maneira fragmentada e muitas vezes não aprofundada em respeito às nuances desse recurso. Essa ausência de uma definição clara e abrangente dificulta tanto o ensino quanto a aprendizagem do paralelismo.

Em conclusão, o paralelismo sintático é um recurso fundamental para a produção textual e sua ausência pode comprometer a compreensão do texto. A falta de uma abordagem sistemática desse tema nas gramáticas normativas e a ocorrência frequente de desvios nos textos dos alunos evidenciam a necessidade de um ensino mais eficaz do paralelismo. Esperamos que este trabalho contribua para a reflexão sobre a importância desse tema e para a melhoria da qualidade da produção textual dos alunos.

REFERÊNCIAS

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BECHARA, Evanildo. Gramática escolar da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001.

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CASTILHO, Ataliba Teixeira de. Nova gramática do português brasileiro. São Paulo: Editora Contexto, 2010.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. São Paulo: IBEP, 2009.

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CONFORTE, André. O paralelismo sintático em Othon M. GarciaIn: NEGRO ROMERO, Marta; ÁLVAREZ, Rosario; MOSCO MATO, Eduardo (coord.). Gallæcia: estudos de lingüística portuguesa e galega. Santiago de Compostela: Universidade de Santiago de Compostela, 2024. p. 133-146. DOI: < http://dx.doi.org/10.15304/cc.2017.1080.2&Disponível em: https://www.usc.gal/libros/index.php?id_product=321&controller=product <http://dx.doi.org/10.15304/cc.2017.1080.2. Acesso em: 22 jul. 2024.

CUNHA, José Carlos; BRITO, Célia. Assimetria de Construção e de Ideias em Textos Escolares. In: SIGNUM: Estudos da Linguagem, Londrina, n. 5, p. 159-184, 2002.

GARCIA, Othon Von. Comunicação em prosa moderna: aprenda a escrever, aprendendo a pensar. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010.

ROCHA LIMA, Carlos. Henrique de. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 2024.

NORONHA, Daisy Pires; FERREIRA, Sueli Mara S. P. Revisões de literatura. In: CAMPELLO, Bernadete Santos; CONDÓN, Beatriz Valadares; KREMER, Jeannette Marguerite (org.) Fontes de informação para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: UFMG, 2000.

OITICICA, José. Teoria da correlação. Rio de Janeiro: Organização Simões, 1952.

KOCH, Ingedore Villaça. A coesão textual. São Paulo: Contexto, 2010.

Notas

1. Graduanda em Licenciatura em Letras-Português, Faculdade de Letras, Universidade Federal de Goiás (UFG).

2. Doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Faculdade de Letras, Universidade Federal de Goiás (UFG).