MEU QUINTAL É MAIOR DO QUE O MUNDO: LUGAR DE BRINCAR E DE SER CRIANÇA
137Resumo: A proposta de relato sobre o trabalho realizado com crianças do grupo etário de 1 a 2 anos, matriculadas no Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE) da UFG, realizado durante o ano 2024, se pautou na observação do cotidiano, que sistematicamente foi planejado e organizado, assim como nos elementos que compõem o plano de ensino e as orientações previstas nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Ressaltamos que considerou as categorias basilares para se compreender a aprendizagem e o desenvolvimento humano numa perspectiva histórico cultural, dentre as quais destacamos: a interação, a linguagem, a criatividade, a imaginação e o movimento, visto que, tais categorias nortearam as ações pedagógicas. A teoria vygotskyana contribuiu epistemologicamente para analisar o trabalho na Educação Infantil e na elaboração do planejamento de atividades que possibilitaram o desenvolvimento da personalidade social das crianças, assim como a ampliação dos conhecimentos que inicialmente foram socializados em espaços informais. Sendo assim, o papel da instituição educacional se consolida a partir da mediação pedagógica intencional, desde o momento que pesquisamos e elaboramos novas metodologias de trabalho. Ao mesmo tempo, ao assumir uma postura de pesquisadora, viabilizamos uma gama de possibilidades e vivências, que favoreceram a interação e as brincadeiras, singulares no processo de apropriação de conhecimentos que foram historicamente e culturalmente constituídos pela humanidade. É importante considerar que o eixo teórico que conduz as análises deste relato, aponta para a necessidade de ampliar o olhar para a criança sob a ótica delas, percebendo o singelo, o simples, o detalhe e também as complexidades que caracterizam a infância enquanto fase da vida. Por meio da poética de Manoel de Barros, vimos a possibilidade de encontros com o universo infantil, especialmente quando criamos o nosso espaço, ou melhor, o lugar das crianças. Foi com esta expectativa e integrando aos objetivos e problemáticas que escolhemos o tema para o plano de trabalho anual: “Meu quintal é maior do que o mundo: lugar de brincar e de ser criança”, para não perder nosso óculos...e quem sabe começar a utilizar lupas, lunetas, microscópios... As observações iniciais contribuíram para o levantamento de algumas questões norteadoras, dentre elas: de que forma os brinquedos e outros objetos contribuem no processo de apropriação da linguagem oral, da imaginação, da criatividade e do movimento em crianças menores de 3 anos? É possível construir metodologias de trabalho a partir de vivências simultâneas para crianças menores de 3 anos? Por fim, estabelecemos como critério de organização sistemática e didática das atividades, a síntese diária das propostas cotidianas com vistas à aprendizagem e desenvolvimento numa perspectiva dialógica, dialética e interativa. Neste sentido, vislumbramos a ampliação dos conhecimentos, assim como a apropriação do espaço, objetos e tempo não somente como metodologia de trabalho mas, efetivamente, como parte do processo de construção de redes de significados às crianças.
Palavras-chave: Vivências. Infância. Linguagem
Notas
1. Doutora em Educação, docente do Cepae/UFG, membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Infância e sua Educação em Diferentes Contextos/NEPIEC/UFG/FE.