Bruno Felipe Gonçalves Diamantino da Silva
diamantino@discente.ufg.br

Cynthia Maria Jorge Viana
cynthia_viana@ufg.br

EIXO
Formação Inicial, estágio, didáticas e metodologias de ensino

O QUE DEVE SER O ENSINO DE MATEMÁTICA SEGUNDO A PSICOLOGIA HISTÓRICO-CULTURAL DE LEV S. VIGOTSKI (1896-1934)?

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Resumo: Esta comunicação tem como objetivo discorrer sobre a experiência didático-teórica relacionada à disciplina Psicologia da Educação II, ofertada pela Faculdade de Educação (FE/UFG) aos(às) estudantes do curso de Licenciatura em Matemática, no segundo semestre de 2023. Nela são ministrados dois conteúdos: a Epistemologia Genética de Jean Piaget (1896-1980) e a Psicologia Histórico-cultural de Lev S. Vigotski (1896-1934). Atenta-se especialmente a este último autor, com o intento de refletir sobre a importância de se considerar a cultura como eixo basilar da constituição humana e das funções psicológicas superiores. Procurou-se, na compreensão de Vigotski de que seja indissociável e reciprocamente determinada a relação entre sujeito e cultura e meio e indivíduo, a base para que o mundo interno/intrapsicológico possa ser visto como consequência da internalização dos objetos da cultura que, como produção humana, está em permanente transformação. Isso pôde ser visto e ampliado por meio das discussões realizadas na disciplina a partir do texto de Vigotski (1933[34]/2021) “O problema da instrução e do desenvolvimento mental na idade escolar” e de outros materiais e recursos pedagógicos utilizados. A partir do texto citado, de antemão, rejeitam-se três visões principais acerca da relação entre a instrução, isto é, o ensino, e o desenvolvimento infantil: a primeira tem como representante mais eminente o próprio Piaget e, segundo ela, o ensino seguiria na esteira do desenvolvimento, sendo eles completamente independentes, tendo o primeiro pouca interferência no segundo; a segunda tem várias origens e vários desdobramentos teóricos, mas essencialmente diz que o ensino e o desenvolvimento se equiparam; e a terceira pensa a junção e a dependência entre instrução e desenvolvimento. Diante do movimento teórico discutido na disciplina e das experiências no curso de Matemática é possível entender as contradições e insuficiências de cada uma destas perspectivas apontadas por Vigotski (1933[34]/2021). Na busca por um ensino de Matemática mais crítico, os autores deste trabalho se alinham à perspectiva vigotskiana, que produz uma resposta ao problema da relação desenvolvimento e instrução fundamentada na proposta marxista de transformação do mundo – o que a faz verdadeiramente revolucionária: por meio do conceito de zona de desenvolvimento iminente, segundo o qual, existe um momento no desenvolvimento marcado pela presença de processos internos manifestamente dependentes das relações sociais e que, somente depois, se tornarão patrimônio do indivíduo. Vigotski (1933[34]/2021) coloca a instrução como fundamento para o desenvolvimento e para novas conquistas intelectuais, e tipicamente humanas. O que deve então ser o ensino de Matemática? Ora, ele deve dispor as condições para que os estudantes, enquanto se relacionam entre si, com seus professores e, até mesmo, com o mundo fora da escola, possam se apoderar de processos que verdadeiramente representam potenciais de ações que eles futuramente poderão individualmente realizar. Não deve ser a mera reportação de achados e descobertas científicas, nem mesmo a ação de depositar uma lista de conhecimentos específicos sobre os estudantes; mas, sim, uma articulação de ações que encorajem e possibilitem que o social seja o lugar de onde poderá finalmente surgir a atividade criativa do indivíduo.

Palavras-chave: Psicologia Histórico-cultural. Vigotski. Ensino de Matemática.

Notas

1. Licenciando em Matemática, Instituto de Matemática e Estatística, Universidade Federal de Goiás. Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG).

2. Doutora em Educação (PPGE/UFG), Faculdade de Educação, Universidade Federal de Goiás.