Paulo Victor Ribeiro de Souza
rafaela.paulovictor2@discente.ufg.br

Alessandra Oliveira Machado Vieira
alessandra_vieira@ufg.br

Daniela Silva Costa Campos
danielacampos2@ufg.br

EIXO
Formação Inicial, estágio, didáticas e metodologias de ensino

ENTRE O CONSERVADORISMO E A EMANCIPAÇÃO NA LICENCIATURA EM PSICOLOGIA

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Resumo: O estágio em licenciatura do curso de psicologia da UFG consiste em dois momentos: uma observação participante em campo e a estruturação de um curso formativo para profissionais da educação básica. No primeiro momento, avaliamos as demandas de Centros de Educação Infantil (CMEI)’s de diversas áreas de Goiânia e sua região metropolitana. No segundo momento, refletimos acerca dessas problemáticas para propor um curso formativo destinado aos profissionais da educação básica. Estas experiências, cuja metodologia incluiu observação participante, entrevistas, análise documental e execução de um curso de formação, fomentaram dificuldades, dentre elas o desânimo dos alunos, as dificuldades nas elaborações criativas e o fatalismo. Cabe uma reflexão sobre os sentidos e efeitos na construção, manutenção e cumprimento da proposta do estágio em licenciatura. Como objetivos específicos, temos: compreender o papel do professor orientador; discutir acerca da importância e objetivos do estágio; refletir sobre a complexidade do estágio em licenciatura; problematizar novas possibilidades de atuação para professores e alunos. O papel do orientador é tutorar o aluno, no sentido de fornecer subsídios teórico-práticos para uma atuação profissional mais adequada. Esta orientação deve ser feita tendo em vista que o objetivo final é a formação de um professor emancipado, que consiga refletir sobre sua práxis, compreendendo a formação como numa realidade mutável. A realidade e complexidade do contexto educativo não podem ser controladas ou previstas. É necessária uma capacidade de flexibilidade tanto do professor orientador quanto dos estagiários para lidar com tais imprevistos. Isto pode levar ao desenvolvimento de uma capacidade reflexiva dos futuros profissionais sobre a própria práxis, de modo a realizar ajustamentos criativos no campo de trabalho. Nossos resultados revelam diversos imprevistos vivenciados: o início do percurso acadêmico que se deu no segundo ano de pandemia, professores que incentivaram a saída dos alunos da licenciatura sob a premissa de que o diploma não teria valor profissional, algumas faltas éticas e principalmente, o fechamento da formação em licenciatura concomitante à graduação no curso de psicologia. É preciso repensar o estágio da Licenciatura durante a graduação de Psicologia e refletir sobre novas formas de motivar os alunos levando em conta o contexto conservador na qual o curso se inscreve. Essa atuação no campo do estágio foi permeada por conflitos e resoluções, mas acredito que no cenário construído até aqui, o crescimento e aproveitamento de todos os membros da equipe de estágio foi formativo. Neste trabalho, defino formação como a capacidade de reconhecer que apenas em conjunto e em contato com o outro, diferente de mim, pode haver o desenvolvimento e emancipação rumo a um objetivo comum. A proposta da licenciatura cumpre essa necessidade de problematizar questões tidas como resolvidas e repensar esses temas, não para projetar respostas prontas, mas apresentar perguntas, reflexões, que levem a considerar a realidade como multifacetada e complexa, assim como a necessária centralidade da avaliação formativa envolvendo todos os atores em formação.

Palavras-chave: Estágio em Psicologia. Formação de Professores. Emancipação.

Notas

1. Graduando de Psicologia, UFG - Faculdade de Educação.

2. Professora Doutora em Psicologia, UFG - Faculdade de Educação.

3. Professora Doutora em Psicologia, UFG - Faculdade de Educação.