Prefácio

Para iniciar a apresentação deste e-book, considero importante refletirmos sobre o conceito de educação. De acordo com o professor Libâneo (2004), a “Educação é o conjunto das ações, processos, influências, estruturas, que intervêm no desenvolvimento humano de indivíduos e grupos na sua relação ativa com o meio natural e social, num determinado contexto de relações entre grupos e classes sociais”. Esta definição, ainda que lapidada antes do período pandêmico iniciado no ano de 2020, é atemporal e nos conduz a uma reflexão sobre o que fizemos (ou foi possível fazer) para darmos sequência aos processos de ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras, num contexto de isolamento físico, em que as relações sociais ocorriam, prioritariamente, por meio de recursos digitais tecnológicos que possibilitavam o trânsito de informações e a comunicação entre as pessoas.

Este e-book, portanto, traz reflexões sobre as ações, processos, influências e estruturas advindas das experiências vivenciadas durante a pandemia e a emergência sanitária de um longevo e atormentador isolamento físico social, tendo como contexto as atividades de ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras do Centro de Línguas (CL) da Faculdade de Letras da UFG (FL/UFG) e, também, sendo comtemplado com um artigo que relata o contexto do Núcleo de Línguas (NL) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

Em entrevista para a Revista Com Censo (RCC), em agosto de 2020, ao ser questionado sobre como enxerga essa necessidade brusca e generalizada de adesão às tecnologias nas relações escolares e essa necessidade de se conceber e criar ambientes educativos capazes de prosperar nessa situação, Nóvoa afirma que “os governos deram respostas frágeis, e as escolas também. As melhores respostas, em todo o mundo, foram dadas por professores que, em colaboração uns com os outros e com as famílias, conseguiram pôr de pé estratégias pedagógicas significativas para este tempo tão difícil”. No CL/UFG, foi necessário suspender um semestre de aulas para poder reorganizar, repensar, e, então, seguir adiante nas condições possíveis considerando o cenário apresentado. Enquanto o NL/UFES ficou de março a junho de 2020 sem a possibilidade de cumprir seu calendário letivo. No entanto, de fato, as melhores respostas foram as dos professores que, mesmo com receio e medo, na prática e na necessidade, foram se fortalecendo num movimento constante de colaboração entre todos os envolvidos, para que os processos de ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras pudessem ser ressignificados, conforme o novo contexto de relações interpessoais que foi sendo estabelecido. Este e-book expressa essas respostas e ressalta a voz dos professores.

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Assim, contendo um total de quinze excelentes artigos, os textos aqui dispostos nos levam a conhecer um pouco mais da realidade vivenciada em processos de ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras, durante o período de emergência sanitária e a imposição do isolamento físico social. Esses artigos versam sobre diferentes temáticas, como: identidade e subjetividade; expressões idiomáticas, cultura, ensino e aprendizagem; literatura e percepções docentes; interatividade e autonomia com o uso de metodologias ativas; desafios no ensino remoto emergencial; reflexões sobre avaliação; relato de experiência; literatura na pandemia; impacto da pandemia nas mulheres; avaliação da aprendizagem; língua e literatura; interculturalidade crítica; ensino crítico de língua adicional; experiências de um clube de leitura; e métodos de avaliação da aprendizagem.

Por fim, convido o leitor a navegar pelas páginas deste e-book e compartilhar, num exercício dialógico, reflexões que contribuam para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de processos educacionais, no campo do ensino e da aprendizagem de línguas, em contexto on-line, pois a pandemia nos deixou como herança, entre outros elementos, o repensar do ensino de línguas mediado por tecnologias digitais de informação e comunicação.

Patrícia Roberta de Almeida Castro Machado
(Coordenadora do Centro de Línguas da FL/UFG)

Notas

1. Secretário de Promoção da Segurança e Direitos Humanos da UFG. Para mais informações sobre as pessoas citadas durante as entrevistas, ver os agradecimentos ao final do livro.