5. Reflexões sobre a cultura dos ciganos calon em Trindade-GO
Introdução: Metodologia e o encontro com o sujeito, seus costumes e suas tradições
Neste capítulo, pretendemos discorrer sobre a etnia cigana Calon, residente nos setores Vila Pai Eterno, Samarah e Serra Dourada, em Trindade-GO, identificando seus costumes culturais por meio da etnografia e da pesquisa participante. Organizamos o texto em três seções além desta introdução, a saber: o cigano em Trindade e a religiosidade; o casamento calon: um ritual que expressa sua simbologia em momentos “fechados”; e considerações finais.
Podemos caracterizar a pesquisa participante pela integração e investigação, aliadas à educação popular e à participação social, oportunizando aos sujeitos envolvidos, pesquisadora e pesquisados, compreender e interpretar as lógicas do funcionamento dos sistemas de dominação social, bem como adquirir conhecimentos apropriados e animar a mobilização social.
A estratégia metodológica de pesquisa participante possui outras nomenclaturas, como observação participante, investigação alternativa, investigação participativa, autossenso, pesquisa popular, pesquisa dos trabalhadores e pesquisa-confronto. Cada uma delas refere-se a um conjunto de práticas que possui origens e preocupações muito próximas.
A pesquisa participante examina, em um contexto determinado, o ambiente, o comportamento, a interação do grupo ou do indivíduo (posturas, normas de condutas explícitas e implícitas, linguagem verbal e não verbal, vocabulário, sequência de eventos e diferentes momentos do sujeito investigado).
As origens da pesquisa participante, segundo Brandão (1999), situam-se, em primeiro lugar, na observação participante, na qual a percepção de ser diferente nas relações sociais acontece no momento em que se está com o outro. O pesquisador é um participante do projeto político de transformação de uma sociedade ou do próprio mundo.
Thiollent (1986) afirma que a pesquisa participante é um tipo de pesquisa social na qual pesquisadores e participantes resolvem problemas reais de modo cooperativo ou participativo.
A pesquisa participante é uma das modalidades de pesquisa qualitativa que, segundo Chizzotti (1995, p. 79), “parte do fundamento de que há uma relação entre o mundo real e o sujeito”. Os participantes da pesquisa produzem um saber popular que representa o saber do grupo. Esse saber orienta a reflexão da ação, reorganizando os pensamentos desse grupo.
Privilegiamos a abordagem qualitativa, com o contato direto do pesquisador com o ambiente investigado e o registro do trabalho de campo, realizados por meio de entrevistas e diário de campo, técnicas indicadas como procedimentos da etnografia.
O trabalho com a metodologia qualitativa compreende um conjunto de atividades anteriores e posteriores. Exige-se, antes da pesquisa, o levantamento de dados, a preparação dos roteiros das entrevistas e os contatos com o informante-chave, que é também um coautor, de maneira a buscar um entendimento quanto à necessidade do grupo.
A pesquisa com a técnica de informantes-chave é utilizada em pesquisa de campo na perspectiva da etnografia, pois os informantes podem colaborar para a compreensão das diferenças culturais. De acordo com Bisol (2012, p. 4), “o informante-chave frequentemente se torna uma via de acesso do pesquisador ao grupo pesquisado”. Conforme observa o autor, eles podem tornar-se colaboradores especiais da pesquisa, ajudando a formular, a expandir ou a clarificar as interpretações do pesquisador.
Por se tratar de uma pesquisa com etnias distintas, a do pesquisado e a do pesquisador, faz-se necessário o uso de estratégias simples de comunicação. A primeira estratégia a ser utilizada é a comunicação informal, nesse caso, uma conversa com um dos anciões da comunidade, o cigano eleito pelo grupo envolvido como informante-chave, para evidenciar as características e os objetivos da pesquisa.
Utilizamos a etnografia em uma perspectiva instrumental, pois suas técnicas nos possibilitam enriquecer nosso conhecimento sobre os ciganos, se os pensarmos considerando a nossa própria natureza, fazendo uma descrição do cotidiano e de seus costumes.
Segundo Malinowski (1978, p. 19),
[n]a etnografia, o autor é, simultaneamente, o eu próprio cronista e historiador; e embora as suas fontes sejam, sem dúvida, facilmente acessíveis, elas são também altamente dúbias e complexas; não estão materializadas em documentos fixos e concretos, mas sim no comportamento e na memória dos homens vivos. Na etnografia, a distância entre o material informativo bruto – tal como se apresenta ao investigador nas suas observações, nas declarações dos nativos, no caleidoscópio da vida tribal – e a apresentação final confirmada dos resultados é, frequentemente, enorme (MALINOWSKI, 1978, p. 19).
A etnografia, como técnica, pode nos aproximar da realidade, descrevê-la e interpretá-la, nos levando a compreender ou a buscar as subjetividades impressas na cultura do outro, como esse vive o real e como pensa sua própria cultura.
Registramos os costumes da etnia cigana por meio de uma descrição detalhada, ampla e abstrata, a partir do conhecimento sobre o assunto, o que Geertz (1989, p. 20) chama de “descrição densa”. A isso denominamos de dados, que nada mais são do que a nossa própria elaboração das construções de outras pessoas nesse processo de interagir com o conhecimento do outro.
Nossas visitas buscaram observar todas as formas de comunicação possíveis, e não somente a oralidade, procurando perceber outros elementos no ambiente pesquisado, como atitudes, gestos e olhares. Deixamos os sujeitos falarem de si, em uma tentativa de compreendê-los como integrantes das dimensões social, cultural e histórica, das quais todos nós fazemos parte.
Para a realização deste estudo, estabelecemos uma organização sistemática dos encontros combinados, em comum acordo com os sujeitos e com a presença do informante-chave. A pauta desses encontros foi elaborada priorizando o respeito ao entrevistado, ou seja, houve um cuidado para que a pesquisa não fosse vista como uma invasão do espaço do outro. Procuramos respeitar as suas especificidades e disponibilidades, assim como as rotinas diárias dos sujeitos pesquisados que, aqui, também são participantes.
Intentamos criar um vínculo de confiança, estabelecendo uma relação de compromisso ético e reforçando, assim, os laços entre pesquisadora e pesquisado. Essa parceria resultou na colaboração dos pesquisados, os quais nos receberam em suas casas, conforme agendamento prévio das visitas pelo informante-chave.
Para nós, foi um desafio identificar e pesquisar costumes, saberes e memórias de um povo dinâmico e festeiro, por meio de entrevistas e observações em trabalho de campo. Para isso, ouvimos os seus diálogos, sem interferência de entrevistas, utilizando apenas a observação e as anotações (novenas, reuniões de pais na escola, casamentos).
Foram escolhidas, na comunidade, famílias que vivem há mais tempo na cidade (os mais velhos), anciões com mais tempo de residência no setor, totalizando aproximadamente quinze famílias residentes em Trindade. O informante-chave nos direcionou até essas famílias para que obtivéssemos os registros de campo. Dessa forma, tivemos como campo de pesquisa quinze famílias dos setores Samarah, Vila Pai Eterno e Serra Dourada, sendo cinco famílias de cada setor.
Os ciganos calon da cidade de Trindade, ao que nos parece, mesmo vivendo em sociedade com os não ciganos, continuam seguindo um padrão de significados. Repassam suas experiências por meio da oralidade e acumulam, assim, seus costumes, tendo como meio a vida em comunidade, ressignificando suas concepções simbólicas herdadas. Ainda, é possível identificá-los pela oitiva dos relatos e entrevistas.
A comunidade cigana existente em Trindade, assim como a maioria dos ciganos residentes no estado de Goiás, se apropria e se reconhece como um grupo étnico descendente de ciganos do dialeto calo.
Fomos informados, pelas famílias ciganas de Trindade, que seus parentes, residentes em outros lugares do estado de Goiás, passam por inúmeras necessidades e desconfortos gerados pela discriminação e pela exclusão social. Isso é demonstrado na investigação de Vaz (2010), realizada em Ipameri-GO, município onde existem vários ciganos e cujas relações de conflito com os nãos ciganos são uma constante, exigindo deles uma postura de duplicidade. Nas palavras de Vaz (2010, p. 86)
Os ipamerinos, através da rejeição, da estigmatização e da discriminação frente aos ciganos, é que muitas vezes, levam os ciganos a adotarem uma postura dupla. Os ciganos só aceitam parcialmente alguns traços culturais da sociedade não cigana, e procuram sempre manter a coesão do grupo, baseada na sua específica organização social, econômica e cultural, através de suas relações sociais internas. Portanto, o processo de interação social entre o cigano e o ipamerino passa pela barreira da imagem que têm os ciganos generalizados.
A história do cigano é marcada por características vinculadas a conceitos pejorativos sempre ligados à negação de seus costumes. Nesse contexto, apresentar suas qualidades enquanto etnia cultural que encadeia e assimila tanto preconceito se torna uma tarefa complexa.
A cultura é um processo acumulativo, resultado de ações e de reflexões realizadas por homens e mulheres, expressas em experiências históricas transmitidas de geração a geração por nossos antepassados. Dessa forma, as culturas são vistas como sistemas e possuem padrões que são socialmente transmitidos, servem para a nossa adaptação enquanto seres que vivem em comunidade e comungam das mesmas tradições, costumes e linguagens adquiridas ao longo das histórias dos indivíduos e herdadas de antepassados. Laraia (2001, p. 38) observa que o “[...] homem é resultado do meio cultural em que foi socializado. Ele é um herdeiro de um longo processo acumulativo, que reflete o conhecimento a experiências adquiridas”.
Em busca de ver a cultura como sistema socialmente transmitido, ela pode ser entendida como
[...] um padrão de significados transmitidos historicamente, incorporado em símbolos, um sistema de concepções herdadas, expressas em formas simbólicas por meio das quais os homens comunicam, perpetuam e desenvolvem seu conhecimento e suas atividades em relação à vida (GEERTZ, 1989, p. 103).
Neste estudo, estivemos sempre atentos aos significados verbalizados e, inclusive, ao que não foi dito e ao que foi dito de outra forma (em outras linguagens). Estivemos sempre atentos aos modos de agir, vestir, alimentar e ao ambiente socializado, vivenciado pelos sujeitos, pois esses elementos revelam características como valores, crenças e identidade.
Constatamos, em nossa pesquisa de campo, que a maioria das pessoas com idade acima de quarenta anos não está alfabetizada. Esse dado foi conseguido durante as entrevistas, quando os mais velhos nos disseram que nunca foram a uma escola para estudar. “Quando era pequeno nosso pai não se importava com escola e vivia como tropeiro, não ficava muito tempo em um lugar só” (citação verbal).
A escola, segundo eles, não era importante, pois precisavam seguir os pais nas viagens, nas quais comercializavam cavalos e éguas. Nelas, os ciganos acampavam em barracas de lona ou de folhas de buriti durante semanas, em fazendas cujos proprietários os deixavam arranchar. Quando não conseguiam lugar nas fazendas, ficavam às margens de rios próximos das estradas por onde passavam. “Recordam com alegria desse tempo, quando podiam brincar dançar e dormir ouvindo o barulho da chuva caindo no teto da barraca de lona” . Afirmam que era muito bom e que gostariam de viver novamente essa epopeia, dizendo que hoje é tudo muito diferente.
Os ciganos de Trindade se autodenominam como “ciganos moradores” por terem moradia fixa, seja com casa própria, seja quando moram de aluguel. Essa autodenominação serve para diferenciá-los de alguns familiares e amigos nômades, que ainda vivem em itinerância por outros lugares do estado de Goiás e do Brasil, acampando em barracas, ou seja, nunca ficando em um lugar por muito tempo.
Durante a nossa pesquisa, tivemos a oportunidade de entrevistar ciganos que moram em barracas no setor Samarah, os quais nos informaram que vivem em barracas de lona e madeira por não terem condições de ter uma casa de alvenaria.
Entre os ciganos calon há uma relação de confiança recíproca, um sentimento de pertencimento a um grupo coeso, enraizado e fortalecido pelos laços afetivos familiares, fortemente comunitário, atitudes que fazem deles uma etnia unida culturalmente.
Essa proximidade afetiva faz com que estejam sempre perto um do outro, inclusive morando juntos – há vários casos de noras que moram com as sogras, às vezes na mesma casa ou em casas separadas, mas no mesmo lote. Isso ocorre pelo fato de que, quando se casam, geralmente aos doze anos, as pequenas esposas aprendem os ofícios da casa com a sogra, que lhes ensina como lavar, passar, cozinhar e arrumar a casa de forma geral.
A casa dos ciganos calon é sempre limpa e asseada; as vasilhas, de alumínio, são bem cuidadas e brilhosas. Em muitas casas encontramos, ao fundo ou em frente a elas, uma barraca que serve como continuidade da casa de alvenaria. Em algumas habitações, as barracas ao fundo servem como dormitório ou como cozinha. Nos quintais de algumas residências encontramos fogão à lenha (Figura 1).
Figura 1 – Fogão à lenha

Os costumes herdados dos antepassados pelos ciganos são uma marca muito forte, simbólica e expressiva, podendo ser percebidos em seus valores culturais. O uso do fogão à lenha é uma dessas evidências, caracterizando uma aproximação com os saberes do passado, assim como ter altares dedicados a santos diversos no quarto ou na sala de suas casas, além da presença de animais domésticos como cachorro, galinha, pato e cavalos.
Segundo Ramanush (2012, p. 80), a importância do cavalo na vida do cigano calon está contida na expressão “que meu cavalo viva muito tempo”, que nos mostra a necessidade do cavalo na vida do calon, relacionada à sua subsistência, pois ele depende do animal para se locomover e ganhar dinheiro.
O cavalo é muito importante entre os ciganos calon por ser um meio de transporte e de subsistência em algumas famílias, usado com frequência tanto no passado como no presente para realizar tarefas do dia a dia, principalmente atrelado a uma carroça. Ambos, carroça e cavalo, são locados dos ciganos durante os festejos de santos ou para que as pessoas possam participar de cavalgadas.
Em pesquisa bibliográfica, percebemos a riqueza das festas religiosas, que acontecem durante todo o ano; a maioria delas se inicia com uma cavalgada no primeiro dia do festejo. Ciganos de muitos municípios (Nazário, Santa Bárbara, Palmeiras, Campestre, Abadia de Goiás, entre outros) e povoados (Cedro, Bugre, Santa Maria etc.) vizinhos a Trindade participam dessas cavalgadas.
A cavalgada tem como ponto de partida uma das localidades (município ou povoado) escolhidas pelos festeiros do ano, indo até as igrejas das cidades e povoados próximos a Trindade, nos quais há uma missa ou novena em louvor ao santo padroeiro do local. Após a missa e durante nove dias existe o costume de se reunirem em quermesses (manifestações com o intuito de leiloar comidas e bebidas e fazer bingos em prol da igreja e da comunidade).
No mês de julho, a maioria dos cavaleiros se reúne para finalizar o ciclo das cavalgadas, tendo como ponto de referência a cidade de Trindade, local onde são finalizados os festejos da romaria ao Divino Pai Eterno , que ocorre sempre no primeiro domingo do mês de julho. Durante esses festejos, a cidade recebe milhares de peregrinos vindos de vários lugares do Brasil.
1 O Cigano em trindade e a religiosidade
A formação da cidade de Trindade tem sua história marcada pelo signo religioso . Um pequeno arraial, habitado por poucas famílias que se ocupavam do cultivo da terra, tornou-se um grande centro religioso que atrai milhares de devotos de várias regiões do País.
Trindade, nesse sentido, torna-se palco para as representações da devoção religiosa e os efeitos do sobrenatural estão presentes no dia a dia do devoto, traduzindo-se em milagres. Apresenta-se, então, como o lócus privilegiado para abrigar uma comunidade cigana, pois, dos 104.488 habitantes, segundo o censo demográfico de 2010, aproximadamente 1.800 são ciganos com moradia fixa em áreas periféricas da cidade (IBGE, 2013).
A relação dos ciganos com a vizinhança é, de certa forma, restrita, pois os não ciganos procuram manter distância e os consideram muito barulhentos. Eles acham que os ciganos não respeitam as regras de convivência social, reafirmando o estereótipo de violentos e agressivos, principalmente quando sentem a necessidade de defender os seus pares ou mesmo de exigir alguns direitos básicos, como saúde.
Em Trindade, pudemos observar as manifestações da etnia cigana, como as ocorridas na novena a Bom Jesus da Lapa, que acontece entre os dias 29 de julho e 6 de agosto, com novenas todos os dias na casa do festeiro. Para esse evento, os ciganos montam um belo altar, que tem, ao centro, a figura do Bom Jesus da Lapa, cercado por santos de devoção que se misturam a fotografias de ciganos (Figura 2). A celebração é iniciada com orações e finalizada com muito foguete, comida e refrigerante.
Nos eventos festivos, há ainda espaço para as questões políticas, que não se misturam com o momento das orações, por ser desrespeitoso para com a cerimônia. Contudo, passado o momento das orações, mesmo quando as opiniões são contrárias, como, por exemplo, sobre as preferências por este ou aquele candidato, todos têm o direito a se posicionar.
Figura 2 – Altar em louvor à novena do Bom Jesus da Lapa

O altar erguido aos santos católicos no período dos festejos a Bom Jesus da Lapa representa, simbolicamente, a continuidade das tradições e o fervor de cultuarem santos em suas casas, bem como de conduzirem cerimônias religiosas , utilizando-se da representação de imagens sagradas de diversos santos para suas adorações e orações.
Há, entre os calon de Trindade, três formas de batizar as crianças: na igreja católica, em casa (purificação) e na “fogueira”. Segundo uma cigana, quando a criança nasce os pais a batizam com três madrinhas e três padrinhos, pois, de acordo com os mais velhos, “se não batizar nas três partes a criança não está protegida” (citação verbal).
O batizado na igreja católica obedece aos rituais da igreja, isto é, com a presença do padre, pais e padrinhos. É uma celebração formal, igual à do gadjo . O batizado em casa segue a tradição, que conta com um ritual de purificação e acontece após alguns dias de vida do bebê. Os mais velhos fazem as seguintes orações, respectivamente: um credo, uma salve rainha, três Ave-Marias e três Pais-nossos. Utilizam um prato virgem com uma vela, um pouco de sal (elementos para a purificação, vela-luz e sal-vida) e três folhas verdes de alecrim ou laranjeira. Durante as orações, a criança é segurada pela madrinha e “benzida” com as folhas.
O batismo na fogueira, também conhecido como batizado de São João, acontece no mês de junho, época em que são feitas fogueiras para homenagear os santos juninos. As orações são as mesmas do batizado em casa, porém, a forma de conduzir a cerimônia é diferente. Todos os anos, a maioria dos ciganos calon hasteiam bandeiras de São João Batista na frente de suas casas.
Depois de terem queimado as lenhas da fogueira, os pais retiram dois tições , os colocam em forma de cruz e se posicionam com os pés bem próximos aos tições, dando início às orações. A madrinha fica, com a criança no colo, de um lado dos pais e o padrinho do outro. “O costume é de batizar toda pessoa que nunca foi batizada e em qualquer idade”.
Outro costume que evidencia as características étnicas do cigano é o casamento, diferente das cerimônias dos gadjo. É o evento mais festejado entre eles e segue um ritual tradicionalmente calon, que pode durar uma semana.
2 O Casamento Calon: um ritual que expressa sua simbologia em momentos “fechados”
O casamento (Figura 3) é o evento mais festejado entre eles, sendo a noiva prometida ao noivo quando criança (embora, atualmente, isso já não seja um costume aceito por todos).
As festas, que duram de três dias a sete dias, causam desconforto aos não ciganos, obrigados a conviver com o barulho de músicas e foguetes durante o dia e a noite, além das bebedeiras e carreatas com atitudes e comportamentos que acabam intensificando esse barulho.
O casamento é organizado e segue um ritual tradicional. A mãe prepara sua filha durante o período de namoro. Os noivos não podem ter relação sexual antes do casamento. Essa preparação consiste em cuidar para que a filha não fique a sós com o noivo durante o namoro, pois há o risco de perder o futuro marido. Os pais do futuro noivo poderão devolver a noiva aos seus pais se ela não for virgem. A noiva, por sua vez, se guarda até o dia do casamento, quando acontece a festa típica de sua cultura, sempre com muitos enfeites na igreja e no lugar onde ocorre a festa.
O vestido da noiva é branco e com muitas pedras brilhantes. O homem se veste com terno de cor cinza ou tons claros, demonstrando o hibridismo entre os ritos dos calon.
Nos dois primeiros dias – quando ocorre o chá de panela – são servidos diversos pratos salgados, em meio a muita dança.
Figura 3 – Casamento cigano

Nos dias atuais, o casamento arranjado entre os ciganos calon já não acontece com tanta frequência, mas o ritual da “saia” ainda é bem vivo entre eles. Esse ritual consiste em, após a noite de núpcias, mostrar a saia (anágua) aos pais do noivo para comprovar que a moça era virgem.
Após o casamento, recebem os cumprimentos na festa organizada pelos pais dos noivos, que oferecem uma mesa de doces de frutas, uma mesa de pães e roscas. Ainda, pode ser oferecido um jantar.
Durante a festa, os noivos dançam a valsa com os anciões, seguindo uma ordem predeterminada: primeiro com os avós, depois com os pais e, por último, os padrinhos. O restante da família participa da dança após o ritual. Há um grande respeito pela hierarquia no grupo.
Nos festejos, os ciganos se vestem como gostam, se divertem, usam roupas coloridas, chapéus e botas com muitos acessórios (colares, brincos, lenços, pulseiras e anéis). Ocorre tanto com o homem quanto com a mulher, os quais se entregam, nesses momentos “fechados” (espaço privado), ao ritual consagrado de sua cultura e costumes.
Há uma diferença radical em relação ao comportamento que um cidadão pode apresentar de acordo com o ambiente social em que se encontra. A rua constitui o espaço público, ou seja, pertence a todos e, por isso, não é de ninguém; tem-se ali um espaço hostil, no qual leis e princípios éticos nem sempre são respeitados, exceto sob o olhar podador da lei e da autoridade constituída. A vida na rua só existe em função de negociações sociais apreendidas pela convivência. Já a casa, por sua vez, é o lugar da intimidade, da autenticidade do ser, onde o homem pode mostrar quem é de fato e expressar seus costumes culturais. Segundo Damatta (1997, p. 57),
Em todo caso, se a casa distingue esse espaço de calma, repouso, recuperação e hospitalidade, enfim, de tudo aquilo que define a nossa idéia de “amor”, “carinho” e “calor humano”, a rua é um espaço definido precisamente ao inverso. Terra que pertence ao “governo” ou ao “povo” e que está sempre repleta de fluidez e movimento.
Há um constante jogo de alternância de identidades, uma vez que o ser humano possui comportamentos, hábitos, ética e moral distintos, dependendo de onde ele se encontra. Essa mudança de perfil do ser humano também é reflexo, entre outras coisas, de um longo processo de vivências culturais que compõem sua história.
É preciso analisar a diversidade que compõe a cultura dos ciganos, seus costumes como um todo, com o intuito de compreender os modos simbólicos atribuídos a cada manifestação, sem ocultar o não dito nos momentos “fechados” de festas e ritos religiosos e distinguindo as várias formas de se ver um mesmo acontecimento, analisando as possíveis variáveis.
De acordo com Thompson (1998, p. 22), a “cultura é como um feixe” e precisamos examinar cada composto com cuidado. Nela estão envolvidos ritos, modos simbólicos e atributos culturais da hegemonia que, por meio da transmissão de costumes, são então repassados de geração a geração nos momentos de demonstrações culturais, tendo como maior forma de conexão a oralidade.
Os momentos “fechados” ocorrem, entre os ciganos, em casamentos, pois nessa ocasião todos se vestem a caráter. Como já explicado, a festa dura três dias ou mais e é realizada em uma barraca com folhas de buriti verde, enfeitada de flores naturais e de papel. Há, também, grande quantidade de comida e muita música sertaneja e dança (forró).
Entre os ciganos de Trindade observa-se a união das famílias, prezando a valorização ao próximo. Eles constroem suas casas perto dos parentes, instituindo, assim, um vínculo familiar muito estreito.
As famílias são extensas , chegando a ter doze pessoas morando em uma única casa. Entre elas, é possível ter avós, pai, mãe, filhos, netos, tios e sobrinhos, genros e noras morando juntos por uma vida inteira ou apenas por temporadas (quando os jovens ciganos se casam ficam morando junto aos pais do noivo por um período indeterminado).
As avós têm uma presença muito forte junto aos netos e estão sempre por perto, cuidando deles quando os pais não estão e, inclusive, quando estão levando-os à escola, acompanhando as atividades escolares (reuniões, festas, entrega de documentos etc.).
Os mais velhos cuidam bem de suas crianças, pois acreditam nelas para a continuidade de seus costumes e tradições. Os anciões passam muito tempo com as crianças e as ensinam como um calon deve se comportar, seguindo sempre as normas da família de respeito aos mais velhos, cigano ou gadjo, aos pais, aos professores e aos demais funcionários da escola.
Compreendemos ser preciso que os não ciganos conheçam a cultura do outro para entender seu jeito de agir, embora isso não vá mudar de um dia para o outro. Deve haver tolerância de ambas as partes para que haja uma convivência mútua de respeito e cordialidade.
3. A escola e o trabalho
Os ciganos calon se apresentam como seminômades, pois empreendem longas viagens de trabalho durante o ano, além de, normalmente, se casarem ainda adolescentes, entre os doze e catorze anos. Esses dois fatores – culturais e socioeconômicos – comprometem a vida escolar dos jovens ciganos.
Alguns chegam a cursar o 9º ano do ensino fundamental, e isso geralmente coincide com o período do casamento, que marca o início da vida profissional dos homens, identificada pela prática da “gambira” (dito popular que se refere à venda e à troca de objetos), realizada em conjunto com os pais.
As moças acompanham as mães na venda de produtos diversos (enxovais, artesanatos e outros), mas algumas também atuam em outras profissões, como domésticas, professoras, balconistas etc.
A escola é importante, principalmente nos anos iniciais, mas tem de se adequar à realidade deles. Todos os anos, em meados de novembro, os ciganos viajam, principalmente para o litoral sul do Brasil, bem como para as regiões nordeste e sudeste – estados como Bahia e Minas Gerais, principalmente –, com o objetivo de comprar e vender seus produtos. O retorno para a cidade de Trindade ocorre em março e eles viajam novamente no mês de agosto. Há famílias que viajam durante o ano todo, ficando em suas casas por períodos pequenos. Esse fator contribui muito para o atraso escolar, tendo em vista que saem antes de finalizar o ano letivo e retornam dois meses após o início do ano seguinte. As mulheres são as que procuram, dentro de suas possibilidades, acompanhar os filhos na escola. Nesse ponto, percebe-se que elas usam de todos os meios possíveis para garantir aos filhos o direito de permanecer nessa instituição.
Identificamos, de acordo com as observações de campo, que até certo ponto esses povos procuram manter suas tradições. Mesmo indo à escola, são diferentes, principalmente entre os adolescentes, sendo sua diferença visível. Alguns são tímidos demais e outros mais audaciosos, chegando a afrontar as normas da escola e a estabelecer as suas, configurando, dessa forma, suas identidades móveis: a de adolescente e a de cigano.
Quando querem, os ciganos utilizam uma linguagem própria, de modo a não permitir ao outro inteirar-se de seus assuntos. Mostram-se sempre de acordo com seus costumes tradicionais até mesmo na escola e, principalmente, nas festas, momentos em que a forma de se vestir denota a perpetuação das hierarquias sociais tradicionais.
Na entrevista com o informante-chave, um dos anciões da comunidade cigana em Trindade, constatamos que ele cursou até o 1º semestre da Educação de Jovens e Adultos (EJA), 2ª Etapa, equivalente ao 6º ano do Ensino Fundamental. Identificamos que seu retorno à escola se deu pela necessidade que eles sentem de serem reconhecidos e respeitados pela sociedade e pelo poder público.
Acreditando que a escola é o lócus do conhecimento formal e talvez o único caminho para uma aprendizagem que lhe servirá para a atuação política, o senhor Marcondes reconhece a dificuldade de ter de trabalhar e estudar. No entanto, ao ser questionado, durante a entrevista, sobre sua desistência, respondeu: “É por causa dos compromissos que tenho com a família, e as viagens, ficou muito difícil continuar estudando. Mas tenho um desejo de voltar a estudar, atuar na política e ajudar meu povo” (Marcondes, entrevista concedida em 26/05/2014).
Em um dos trechos da entrevista, o senhor Marcondes afirma que os ciganos mudaram o tipo de roupa que usam para não serem discriminados, mas, no trecho anteriormente mencionado, fica evidente a necessidade que ele sente de lutar pela manutenção e valorização de sua cultura. Acredita que o único meio de ajudar seu povo é reconhecer seus direitos enquanto cidadão por meio dos estudos formais. Percebe-se, ainda, que um dos caminhos que se configura é o da atuação política.
Alguns dos mecanismos que levam as pessoas a se sentirem cidadãs são o estudo, o ingresso em uma profissão e a atuação na área política. No entanto, para muitos ciganos o estudo formal é breve, servindo apenas para garantir o que eles fazem bem: comercializar produtos.
A imagem dos ciganos foi e é refletida negando uma identidade que emerge de um conflito de longa data de pessoas estigmatizadas, com estereótipos já cristalizados pelo tempo. Como diz Bhabha (2005), o estereótipo reafirma a diferença, estigmatizando o outro por meio de uma imagem fixa. Segundo Goffman (1975, p. 23), o estigma ocorre em função de “crenças falsas que são transmitidas pela linguagem”.
Para Bhabha (2005), o estigma estabelece uma relação impessoal com o outro, o sujeito não surge como uma individualidade empírica, mas como representação ocasional de certas características típicas da classe do estigma, com determinações e marcas internas que podem sinalizar um desvio, mas também uma diferença de identidade social.
O termo “estigma” sempre representará o lado negativo ou será um atributo depreciativo, por “deformidades físicas ou por caráter pessoal abrangendo os transtornos psíquicos ou por raça, religião e nação” (GOFFMAN, 1975, p. 12-14). Sendo assim, reduz o ser humano a todos os tipos de discriminações, embasados em uma teoria de inferioridade criada a partir do próprio estigma.
As crenças de que os ciganos são ladrões de cavalos e de mercadorias, estabelecidas desde o século XVIII, reafirmaram repetidamente o estigma e a criação desses estereótipos, negando aos ciganos outra imagem.
Segundo Teixeira (2008, p. 31), o cigano sempre foi caracterizado por estereótipos negativos.
Durante a maior parte da história brasileira, praticamente só se falou de ciganos quando sua presença inquietou as autoridades. Isto ocorria, por exemplo, quando eram acusados de roubarem cavalos. Nas poucas vezes que se escrevia sobre aspectos culturais dos ciganos, não havia qualquer interesse sobre como eles próprios viam sua cultura. Os contadores da ordem pública, com os chefes de polícia, os compreendiam como sendo “perturbadores da ordem”, responsáveis pelos mais hediondos crimes. Outras fontes, como viajantes e memorialistas recorriam aos estereótipos corriqueiros, como “sujos”, “trapaceiros” e “ladrões”.
Ainda de acordo com Teixeira (2008), a documentação pouco retrata os ciganos e suas singularidades, desprovendo-os de sua história e de suas atividades culturais. Quase sempre incidem sobre “o cigano”, entidade coletiva e abstrata, “características estereotipadas” (TEIXEIRA, 2008, p. 31-32).
A imagem negativa fortemente atribuída aos ciganos, vistos como povos desonestos, ladrões, sujos e imorais, geralmente os impede de trabalharem junto aos gadjos. Muitos acreditam que mesmo tendo estudo não podem trabalhar em empresas privadas, pois os nãos ciganos não os aceitam para “trabalhar fichado”.
Segundo uma senhora cigana entrevistada, estudar é apenas um sonho para ter um emprego, ganhar dinheiro e diminuir as necessidades financeiras, mas esse sonho não pode ser realizado por ela em virtude de sua condição de mulher, esposa e mãe. Já outros acreditam que podem mudar sua condição de excluídos, passando a ser vistos como cidadãos pelos gadjos.
Muitas mães afirmaram que os filhos devem seguir a profissão do pai, identificando a dificuldade de seus filhos não conseguirem trabalhar em outras atividades e criando, assim, uma necessidade de trabalhar na venda de enxoval, nas viagens com o pai ou familiares.
Considerações finais
A assimilação cultural apresentada pela Comunidade Cigana Calon em Trindade permitiu a sua sobrevivência enquanto grupo étnico, se reestruturando por modos específicos em processos de socialização e educação ocorridos nas famílias ciganas. Os processos de socialização e educação familiares são estruturadores e condicionados por seu estilo de vida.
Mesmo considerando que a socialização e a educação familiar presentes na comunidade cigana pesquisada são fundamentais para a construção de suas identidades culturais, não podemos deixar de considerar que essa forma de se organizar e construir suas identidades sofre discriminação por parte da sociedade em geral.
(Re)conhecer o cigano como parte da pluralidade cultural brasileira, como um grupo étnico, torna oportuna a elaboração de projetos e planejamentos pedagógicos a serem trabalhados em sala de aula para a compreensão de seus valores, de sua história, suas lutas e conquistas. Essa cultura deve ser inserida no currículo escolar e, respaldando-nos pelas prerrogativas estabelecidas nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e no Projeto Político Pedagógico (PPP), buscamos apresentar o cigano e sua visibilidade, respeitando a diversidade cultural presente na escola. Respeitar e valorizar as diferenças étnicas e culturais não significa uma adesão a esses valores, mas deve suscitar a necessidade de promover uma educação que prima pela construção da cidadania.
Compreendemos que o cigano e os não ciganos só se sentirão parte integrante dessa sociedade quando ambos – o cigano e o gadjo – forem reconhecidos como cidadãos, pertencentes a essa sociedade na qual escolheram viver, porém, com sua particularidade respeitada. Elegemos a escola e o currículo como um espaço de troca e interação não só da cultura cigana, mas de todas as culturas inseridas na sociedade a qual a instituição escolar pertence.
Há uma responsabilidade, desde o surgimento da escolarização, em padronizar o que era preciso ensinar. Os conhecimentos acumulados durante anos devem ser transmitidos pela escola, uma vez que o processo de ensino-aprendizagem não se dá apenas no ambiente escolar, mas sim em todo o âmbito social. É a pluralidade que propiciará o enriquecimento e a renovação da atuação pedagógica pela socialização de um novo currículo, mais dinâmico e humanizado, que perceba, respeite e valorize as minorias e as diversidades.
Esperamos que o estudo da temática (cultura cigana) permita comparar e confrontar diferentes realidades e perspectivas analíticas, bem como suscitar a construção de hipóteses que possibilitem o (re) conhecimento e a compreensão dos processos de construção cultural, deste e de outros grupos étnicos minoritários, para possibilitar a melhoria das práticas pedagógicas nas escolas.
É preciso compreender que a busca pela crítica, pela interrogação e pelo diálogo entre professor e aluno são caminhos que ainda continuam em construção na educação, no chão de nossas escolas. A solidariedade ainda é distante no mundo escolar de ciganos, negros, índios, homossexuais e tantas outras minorias.
Se a formação de educadores passar pelas premissas da humanização, do envolvimento e do aconchego, será capaz de possibilitar aos seres humanos, homens e mulheres, o exercício de uma educação emancipatória.
Referências
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