MODULO 1
Comunicação Escrita e Oral
A linguagem oral e a escrita são duas formas de expressão verbal que servem para estabelecer comunicação, cada uma com características e funções distintas que influenciam o desenvolvimento cognitivo.
Vygotsky (1999) argumenta que a linguagem, em suas várias formas, é uma ferramenta crucial para o desenvolvimento do pensamento e da aprendizagem. Para o autor, tanto a linguagem oral quanto a escrita desempenham papéis complementares e essenciais no desenvolvimento cognitivo e social. Enquanto a linguagem oral facilita a comunicação imediata e a interação social, essencial nos estágios iniciais de desenvolvimento, a linguagem escrita proporciona uma plataforma para o pensamento mais abstrato, a análise crítica, e a autorreflexão, importantes para o desenvolvimento de um raciocínio mais complexo. Ambas as formas de linguagem, portanto, contribuem de maneiras distintas e complementares para o crescimento intelectual e a construção do conhecimento.
Presentes na atuação do tutor, ambas as formas de comunicação podem influenciar na interação entre tutor e aluno.
• Características da Linguagem Oral
A linguagem oral é o primeiro tipo de comunicação desenvolvido, sendo aprendida naturalmente em contextos sociais. Ela promove um contato direto e imediato entre quem fala e quem ouve, o que facilita a interação social e o desenvolvimento inicial da linguagem. De acordo com Vygotsky(1999), essa modalidade é fundamental para o desenvolvimento cognitivo inicial, pois é espontânea, informal e mais flexível quanto ao uso das normas cultas da língua. A comunicação oral depende de recursos extralinguísticos, como entonação, gestos, e expressões faciais, que ajudam a transmitir o significado e facilitar a compreensão. A linguagem falada é passageira, o que significa que não deixa registro escrito, e as ideias podem ser comunicadas de forma não linear, permitindo interrupções e desvios de raciocínio.
• Características da Linguagem Escrita
A linguagem escrita, por outro lado, desenvolve-se em um estágio posterior e requer um processo formal de aprendizado, geralmente adquirido através da escolarização. Vygotsky (1999) destaca que a escrita representa uma forma mais avançada de linguagem, exigindo reflexão consciente, planejamento e um nível mais alto de desenvolvimento cognitivo. A escrita envolve um distanciamento maior entre o autor e o leitor, estabelecendo um contato indireto e formal. Ao contrário da oralidade, a escrita é duradoura e permite revisões constantes, pois deixa um registro permanente. A escrita requer maior rigor gramatical e adesão às normas cultas, exigindo uma estrutura linear e lógica de pensamento, organizaçãoe revisão do conteúdo. A linguagem escrita também utiliza um vocabulário mais variado e construções frasais mais complexas, refletindo sua natureza deliberada e analítica.
Como incentivar a auto-interação dos alunos?
1. Estratégias como a criação de atividades que promovam a reflexão e a discussão entre os alunos são essenciais para incentivar a auto-interação. O tutor deve encorajar os alunos a se envolverem com o conteúdo e com seus colegas.
2. Manter uma presença constante, oferecer feedback regular e personalizado, e criar um ambiente de apoio são estratégias interessantes para manter o vínculo com os alunos. A comunicação contínua e o acompanhamento do progresso dos alunos são fundamentais.
3. O tutor deve fornecer ferramentas e recursos que capacitem os alunos a resolver problemas de forma independente. Isso inclui o desenvolvimento de habilidades de pensamento crítico e a promoção de discussões colaborativas onde os alunos possam compartilhar soluções.
Manter uma presença constante, oferecer feedback regular e criar um ambiente de apoio são essenciais para manter o vínculo com os alunos.

- Como você compreende essas características na sua atuação enquanto tutor?
- Reflita sobre como a empatia pode ser utilizada para superar barreiras sociais e culturais na sua atuação enquanto tutor.
Referências
PEIXOTO, Joana. Tecnologias e relações pedagógicas: a questão da mediação. Revista Educação Pública. Cuiabá, v.25, n. 59, p. 367-379, maio/ago., 2016. Disponível em: http://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/educacaopublica/article/view/3681/2579
TOSCHI, Mirza Seabra. Processos Comunicacionais em EAD: políticas, modelos e teorias. (2007). Latin American Journal of Educational Technology - RELATEC, 3(2), 85-98. https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/1212849.pdf
VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes,1999.
Wolf, Mauro. Teorias da comunicação. Lisboa: Editorial Presença, 1987.