1. Apresentação
A Universidade Federal de Goiás (UFG) foi criada no ano de 1960, a partir da reunião das faculdades de Direito, Farmácia e Odontologia, Medicina, Escola de Engenharia e do Conservatório de Música. Representou, deste então, uma “oportunidade de formação profissional e intelectual em uma instituição pública, gratuita e de qualidade” (UFG, 2011).
Para a criação da Universidade, contou-se com a mobilização de discentes – por meio de comícios e debates reivindicatórios – e professores/as das cinco escolas até então existentes, os/as quais formaram uma comissão – presidida pelo professor Colemar Natal e Silva – e, através desta, formularam o projeto de criação da Universidade. Este foi acrescido de colaborações dos/as parlamentares/as goianos/as e transformado em lei, culminando na assinatura do decreto pelo presidente Juscelino Kubitschek, em dezembro de 1961.
1.1 Missão da Universidade Federal de Goiás
A Universidade Federal de Goiás tem como missão gerar, sistematizar e socializar o conhecimento e o saber, formando profissionais e indivíduos capazes de promover a transformação e o desenvolvimento da sociedade.
1.2 Princípios e valores da UFG
As atividades desenvolvidas na UFG estão fundadas na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, conforme estabelece o Art. 207 da Constituição Federal de 1988. Seu funcionamento é disciplinado por seu Estatuto e Regimento Geral e norteia-se pelos princípios estabelecidos em seu Estatuto: I – laicidade; II – indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão; III– gratuidade do ensino, cuja manutenção é responsabilidade da União; IV – respeito à liberdade, à diversidade e ao pluralismo de ideias, sem discriminação de qualquer natureza; V – universalidade do conhecimento e fomento à interdisciplinaridade; VI – defesa da qualidade de ensino, com orientação humanística e preparação para o exercício pleno da cidadania; VII – defesa da democratização da educação – no que concerne à qualidade, à gestão, à igualdade de oportunidade de acesso e condição para a permanência – e com a socialização de seus benefícios; VIII – defesa da democracia, estímulo à cultura, à arte e ao desenvolvimento científico, tecnológico, socioeconômico e político do País; IX – defesa da paz, dos direitos humanos e do meio ambiente; e X – diálogo e cooperação entre as regionais da UFG.
1.3 Sistema Universidade Aberta do Brasil
O Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), criado pelo Ministério da Educação (MEC), foi instituído pelo Decreto nº 5.800, de 8 de junho de 2006, visando expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de educação superior por meio da modalidade a distância. Conforme disposto no Decreto, são objetivos do Sistema UAB:
- oferecer, prioritariamente, cursos de licenciatura e de formação inicial e continuada de professores/as da educação básica;
- oferecer cursos superiores para capacitação de dirigentes, gestores/as e trabalhadores/as em educação básica dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
- oferecer cursos superiores nas diferentes áreas do conhecimento;
- ampliar o acesso à educação superior pública;
- reduzir as desigualdades de oferta de ensino superior entre as diferentes regiões do País;
- estabelecer amplo sistema nacional de educação superior a distância; e
- fomentar o desenvolvimento institucional para a modalidade de educação a distância, bem como a pesquisa em metodologias inovadoras de ensino superior apoiadas em tecnologias de informação e comunicação.
Enquanto política pública, o Sistema UAB propicia a articulação, a interação e a efetivação de iniciativas que estimulam pesquisas em metodologias inovadoras de ensino superior respaldadas por novas tecnologias de informação e comunicação, bem como viabiliza a democratização do acesso ao ensino superior e a permanente formação de profissionais em áreas remotas do País.
A partir da experiência e implantação do Programa Nacional de Formação em Administração Pública - PNAP, a Diretoria de Educação a Distância – DED, pôde estruturar e promover outros cursos nacionais, dentre os quais se destaca o curso nacional de Bacharelado em Biblioteconomia na Modalidade a Distância (BibEaD). A concepção do Curso Nacional de Biblioteconomia se deu de forma coletiva e colaborativa, a partir de uma sistemática própria, contando com o envolvimento de professores/as e especialistas da área de diversas instituições de ensino superior e com o apoio do Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB). Após a definição de um perfil para esses/as colaboradores/as, com formação em Biblioteconomia, exercício da docência e pesquisa na área, o CFB indicou à Capes os nomes dos/as especialistas que elaboraram o Projeto Pedagógico Nacional (PPN), contemplando também, na composição desse coletivo, profissionais advindos de diversas regiões do País.
Para tanto, este Curso tem a finalidade de fomentar e expandir a formação de bibliotecários/as no País, bem como garantir um padrão nacional de qualidade, sua formação, assegurando, ao mesmo tempo, sua excelência quanto ao domínio dos fundamentos e conhecimentos da Biblioteconomia e à articulação destes aos de outros domínios do conhecimento para o bom desenvolvimento do trabalho com a informação. Desse modo, o conjunto de autores/as dos materiais didáticos foi composto por docentes/pesquisadores/as da área da Biblioteconomia e de áreas afins. Tais materiais didáticos foram adequados para a linguagem da educação a distância, por meio da atuação de distintos/as profissionais especialistas nessa modalidade de ensino.
Ressalta-se que o material didático é obrigatoriamente adotado pelas Instituições Públicas de Ensino Superior - IPES que aderiram ao Projeto Pedagógico Nacional - PPN, uma vez que foram elaborados para esta finalidade e dentro dos princípios norteadores do Curso. Ademais, em consonância com a Declaração da Cidade do Cabo para Educação Aberta (2007), a Declaração de Recursos Educacionais Abertos de Paris (2012) e a Resolução CNE/CES nº 01/2016, todos os materiais didáticos do Curso foram concebidos como Recursos Educacionais Abertos (REA), que podem ser usados, traduzidos, adaptados, recombinados, distribuídos e compartilhados gratuitamente em outros contextos de formação, resguardados os direitos autorais pertinentes.
O licenciamento aberto dos materiais didáticos das disciplinas do Curso de Biblioteconomia, ao reduzir problemas associados aos direitos autorais e às barreiras técnicas para reprodução e reuso, possibilitará o desenvolvimento de práticas abertas em torno da criação sustentável de recursos educacionais de referência. Esta iniciativa compõe um contexto amplo de busca pela democratização do conhecimento, oportunizando práticas pedagógicas de produção e compartilhamento de informações que colaborem para o aperfeiçoamento do processo de ensino e aprendizagem.
A carência de bibliotecários/as, bem como a necessidade de atender a Lei nº 12.244, de 24 de maio de 2010, que dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino até 2020 sendo atualizada pela proposta de Lei PL nº 9.484/18, com a presença e atuação do/a profissional em todas as bibliotecas instaladas no País, motivaram a Capes a lançar este importante desafio às IPES que integram o Sistema UAB, convidando-as a aderir ao Projeto Pedagógico Nacional - PPN, ofertando o Curso de Biblioteconomia na modalidade a distância nos polos da UAB.
O PPN contempla os distintos conteúdos formadores alinhados às competências e habilidades necessárias aos saberes e fazeres do/a bibliotecário/a contemporâneo. Para tanto, os conteúdos curriculares foram organizados em oito eixos: Eixo 0: Módulo Básico; Eixo 1: Fundamentos Teóricos da Biblioteconomia e da Ciência da Informação; Eixo 2: Organização e Representação da Informação; Eixo 3: Recursos e Serviços de Informação; Eixo 4: Políticas e Gestão de Ambientes de Informação; Eixo 5: Tecnologias de Informação e Comunicação; Eixo 6: Pesquisa em Biblioteconomia e Ciência da Informação; Eixo 7: Estágios e Atividades Complementares.
A educação a distância tem seus referenciais fundamentados nos Quatro Pilares da Educação do Século XXI, divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), e que se constituem em: aprender a conhecer, aprender a fazer, apreender a ser e aprender a viver juntos. Em sua proposta, os/as professores/as passam a ter seus materiais didáticos dinamizados por meio de recursos de multimídia, o que propicia uma nova dinâmica de aula que, por sua vez, motiva uma significativa interação entre discente e professor/a. Para o/a discente possibilita a flexibilização do processo formativo, cuja interação por meio de plataformas eletrônicas e digitais oferece maior mobilidade de acesso aos conteúdos programáticos e gerenciamento do próprio tempo de aprendizagem.
Atualmente, uma questão que se coloca na área é a diversificação dos suportes informacionais (do físico ao digital), o surgimento de novos ambientes de atuação profissional e, principalmente, a convivência de dois perfis distintos de usuários/as: um primeiro, conhecedor de suas necessidades informacionais e dos recursos disponíveis, que exige do/a profissional cada vez mais consistência, foco e efetividade em suas ações; e outro, ainda a ser incluído informacionalmente, o qual constitui um grande desafio profissional do/a bibliotecário/a na sua missão de colaborar para a construção da cidadania.