EDUCAÇÃO AMBIENTAL VISTA DO ESPAÇO • ISBN:
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Nota dos autores

p. 01

Este livro não nasceu com a pretensão de oferecer respostas prontas. Ao contrário, ele surgiu do incômodo diante de perguntas que insistem em atravessar nosso tempo: como aprendemos a conhecer o mundo? Quem decide o que conta como conhecimento? E que tipos de relações estamos, consciente ou inconscientemente, estabelecendo com o planeta que habitamos?

A narrativa que o leitor encontrará ao longo destas páginas transita entre salas de aula, sistemas computacionais, diálogos improváveis e pontos de vista deslocados. Essa escolha não é gratuita. Ela reflete a convicção de que os grandes dilemas contemporâneos — ambientais, sociais, tecnológicos e éticos — não cabem dentro de uma única disciplina, de uma única linguagem ou de uma única forma de pensar. Por isso, este livro se constrói como uma travessia: entre ciência e mito, entre educação e política, entre ficção e reflexão, entre humano e não humano.

O recurso à ficção, aqui, não foi pensado como uma forma de escapar da realidade, mas de ampliá-la. A obra é resultado de um esforço coletivo que compreende a literatura como um espaço de experimentação: um lugar onde ideias podem se encontrar sem a rigidez dos protocolos acadêmicos, onde conceitos ganham corpo, voz e conflito, e onde o leitor é convidado não a concordar, mas a pensar junto. Nesse sentido, o livro também se propõe como uma ferramenta de interdisciplinaridade — não no sentido de somar conteúdos, mas de provocar conexões: entre educação ambiental, antropologia, filosofia, ciência, tecnologia e as experiências concretas da vida cotidiana.

Além de romper com os vícios do “academicismo” por meio de narrativas híbridas, o livro oferece, de forma cuidadosa e acolhedora, uma extensa lista de notas de rodapé — sempre abertas pela frase “VOCÊ SEMPRE PODE CONHECER MAIS! SIGA A PARTIR DAQUI” — com indicações de obras, centros de pesquisa especializados e documentários relacionados aos temas abordados ao longo do texto. Mais do que simples referências, essas notas funcionam como convites: pontos de partida para leituras, investigações e novos deslocamentos, constituindo um verdadeiro guia prático para quem deseja ir além.

O conteúdo que estrutura esta narrativa foi estrategicamente definido a partir de experiências reais vividas no âmbito do projeto de extensão Reativar: Agroecologia e Interculturalidades, vinculado à Faculdade de História da Universidade Federal de Goiás (UFG), ativo desde o ano de 2010. Ao longo de mais de uma década de atuação em espaços escolares e comunitários, o projeto acumulou vivências, diálogos, conflitos e aprendizados que atravessam diretamente as situações, personagens e problematizações apresentadas neste livro. Assim, a ficção não se dissocia da prática: ela emerge como desdobramento sensível e reflexivo de um percurso coletivo de pesquisa, extensão e intervenção socioambiental.

p. 02

Os personagens não estão aqui para ensinar lições morais, tampouco para representar modelos ideais. Eles erram, hesitam, discordam e, muitas vezes, falham. Assim como nós. Se há alguma “missão” em curso neste livro, ela não pertence exclusivamente a eles. Ela se desloca, silenciosamente, para quem lê. Pois os paradoxos que atravessam a narrativa — entre saber e agir, entre desenvolvimento e destruição, entre consciência e prática — não se resolvem no interior da ficção. Eles continuam atuando fora dela, no mundo compartilhado que aguarda oleitor ao fechar a última página.

Se este livro conseguir, ao menos, abrir frestas para novas perguntas, tensionar certezas consolidadas ou estimular leituras cruzadas entre áreas do conhecimento que raramente dialogam, então terá cumprido seu papel. Que ele possa ser lido como literatura, discutido como ideia, questionado como proposta e, quem sabe, apropriado como ferramenta por educadores, estudantes e leitores inquietos.

Nada aqui se encerra. Tudo permanece em processo.

Boa leitura e boa travessia.