É com muita alegria que compartilhamos com vocês, leitores e leitoras, este pequeno livro. É provável que, ao final — ou mesmo durante a sua leitura —, você se sinta tentado a perguntar em qual categoria esta obra se encaixa: ficção científica, conto, distopia, obra acadêmica, ensaio ou algum outro tipo. Como resposta, diríamos que você está diante de um exercício interdisciplinar motivado pela necessidade de interrogar, profundamente, aquele campo de saber denominado Educação Ambiental.
Enquanto não houver um consenso acadêmico — e esperamos que nunca haja — em torno de uma definição a respeito da especificidade desse campo de saber, contentamo-nos em aplaudir a ideia mais geral de que ele seja um campo interdisciplinar de caráter educativo. Tal convicção já responde, pelo menos em parte, à pergunta anterior sobre em qual categoria esta obra se encaixa, ou seja, em nenhuma delas e em todas elas ao mesmo tempo. Por essa razão, você, leitor, e você, leitora, encontrarão uma narrativa que transita entre salas de aula, sistemas computacionais, dimensões transespaciais, transtemporais e pontos de vista deslocados. Igualmente, entendemos que os grandes dilemas contemporâneos — ambientais, sociais, tecnológicos e éticos — não cabem dentro de uma única disciplina, de uma única linguagem ou de uma única forma de pensar. Por isso, este livro se constrói como uma travessia: entre ciência e mito, entre educação e política, entre ficção e reflexão, entre humano e não humano.
p. 02O recurso à ficção, aqui, não foi pensado como uma forma de escapar da realidade, mas de ampliá-la. Pois nosso projeto, desde o ano de 2010, vem atuando na pesquisa e na produção de materiais didático-literários alternativos voltados para populações migrantes residentes em regiões periurbanas da região metropolitana de Goiânia. Entendemos que tais populações desterritorializadas têm o direito de conhecer, por meio de outras linguagens que não sejam apenas as chamadas técnicas ou acadêmicas, as realidades socio-históricas e ambientais nas quais não apenas se acham inseridas, mas das quais também, e principalmente, são sujeitos ativos, criadores e reprodutores de suas memórias bioculturais. Quando esse coletivo consegue refletir sobre tais realidades, alcança autonomia e liberdade para enfrentar seus processos de reterritorialização nesses espaços de destino, vencendo, assim, todas as formas de estereótipos e de inferiorização.
Por fim, além de narrativas híbridas, o livro também oferece uma extensa lista de notas de rodapé, cuidadosamente pesquisadas, com indicações de obras, centros de pesquisa especializados e documentários relacionados aos temas abordados ao longo do texto. Portanto, mais do que simples referências, essas notas funcionam como convites: pontos de partida para leituras, investigações e novos deslocamentos, constituindo um verdadeiro guia prático para quem deseja ir além. Que este livro possa ser lido como literatura, discutido como ideia, questionado como proposta e, quem sabe, apropriado como ferramenta por educadores, estudantes e leitores inquietos.
p. 03“Que este livro possa ser lido como literatura, discutido como
ideia, questionado como proposta e, quem sabe, apropriado como
ferramenta por educadores, estudantes e leitores inquietos”
Nada aqui se encerra. Tudo permanece em processo. Boa leitura e boa travessia.