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3. Práticas Pedagógicas para a Educação Sexual na Escola
1º ano do Ensino Fundamental
No 1º ano, as crianças estão vivendo um grande marco: a transição da educação infantil para o ensino fundamental. Estão ampliando o repertório verbal, a autonomia e o convívio em grupo. Com isso, surgem também dúvidas mais elaboradas, brincadeiras mais complexas e interações que exigem diálogo, escuta e regras claras de convivência.
Esse é um ótimo momento para reforçar a ideia de que a escola é um espaço onde todos devem se sentir seguros, respeitados e acolhidos. A seguir, apresentamos cinco sequências didáticas para abordar a educação sexual de forma ética, sensível e pedagógica.
Sequência 1 – Meu corpo, meu espaço
Objetivo:
Reconhecer o corpo como espaço pessoal que deve ser respeitado por todos (BNCC - Respeito ao corpo e aos limites pessoais – Competência 8).
Como fazer:
Propor a construção de um “mapa do corpo” com as crianças, desenhando as partes do corpo humano e conversando sobre quais partes são privadas. Iniciar uma roda de conversa sobre quando e por que alguém pode tocar no corpo da criança (ex.: médico, com a presença do responsável; higiene pessoal etc.).
Atividade:
Cartaz coletivo com os dizeres:
"Ninguém pode tocar no meu corpo sem minha permissão."
"Se algo me deixa desconfortável, posso contar para um adulto de confiança."
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Sequência 2 – Palavras certas, proteção certa
Objetivo:
Ensinar as crianças a nomear corretamente as partes íntimas, desenvolvendo linguagem de proteção (PCN - Nomear o corpo corretamente é parte da prevenção de abusos).
Como fazer:
Utilizar uma história fictícia ou bonecos para falar sobre corpo e higiene. Incluir os nomes anatômicos (pênis, vulva) de forma tranquila. Explicar que usar os nomes corretos é uma forma de proteger o corpo.
Dica:
Explique que, em casos de abuso, a criança saber nomear o que aconteceu pode ajudar os adultos a entender e proteger com mais agilidade.
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Sequência 3 – O que eu sinto importa
Objetivo:
Incentivar o reconhecimento e o respeito aos próprios sentimentos e aos dos colegas (BNCC - Autoconhecimento e expressão de sentimentos).
Como fazer:
Roda de conversa com a pergunta: "O que você sente quando alguém te abraça sem pedir?"
Propor desenhos ou dramatizações com situações de empatia e incômodo. Falar sobre como dizer “não” com respeito e firmeza.
Complemento:
Trabalhar o conceito de consentimento com exemplos simples: “Posso sentar ao seu lado?”, “Você quer dividir o brinquedo agora ou depois?”
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Sequência 4 – Brincadeira boa é brincadeira segura
Objetivo:
Refletir sobre o que torna uma brincadeira respeitosa, segura e divertida para todos (PCN - Brincadeiras devem respeitar limites e promover segurança).
Como fazer:
Listar com as crianças tipos de brincadeiras que causam desconforto (tirar a roupa do outro, mostrar partes íntimas, apelidar o corpo) e discutir por que não são adequadas. Construir com a turma as “Regras das Boas Brincadeiras”.
Produto final:
Cartaz ilustrado pelas crianças com o título: “Na nossa sala, a gente brinca com respeito.”
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Sequência 5 – Cada pessoa é única
Objetivo:
Valorizar a diversidade de corpos, gêneros, jeitos e sentimentos (DCNEB - Valorização da identidade e da singularidade).
Como fazer:
Apresentar histórias que tragam personagens com diferentes tipos de corpo, roupas, gostos e famílias. Propor que cada criança desenhe a si mesma e escreva (com ajuda, se necessário) algo de que gosta muito em si: “Gosto do meu cabelo”, “Gosto de ser brincalhão”, “Gosto de ser curioso”.
Dica de livro:
Corpo, corpinho, corpão (Mey Clerici (Autor, Ilustrador), Ivanke (Autor, Ilustrador), Nina Rizzi (Tradutor)) e Sinto o que sinto: Um passeio pelos sentimentos (Lázaro Ramos (Autor), Flávia Borges (Ilustrador).
Essas atividades podem ser feitas em sequência ou de forma pontual, sempre partindo da escuta das crianças. O mais importante é criar um ambiente onde o corpo é valorizado, o limite é respeitado, e a convivência se dê com empatia e acolhimento.
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2º ano do Ensino Fundamental
No 2º ano, as crianças já são capazes de construir hipóteses, levantar perguntas mais complexas e discutir regras de convivência com mais clareza. É uma fase em que começam a aparecer as primeiras falas mais marcadas por crenças sociais: “menino não pode chorar”, “menina tem que usar rosa”, “isso é coisa de menina/menino”. Essas ideias são importantes para serem desconstruídas desde cedo.
A seguir, apresentamos cinco propostas que ajudam a avançar no trabalho com a educação sexual, respeitando o contexto das crianças e promovendo valores como respeito, escuta e autonomia.
Sequência 1 – Meninas e meninos podem tudo?
Objetivo:
Refletir sobre estereótipos de gênero e ampliar as possibilidades de identidade, brincadeira e convivência (DCNEB - Igualdade de gênero e desconstrução de estereótipos).
Como fazer:
Começar com perguntas provocadoras:
- Menino pode brincar de boneca?
- Menina pode jogar futebol?
- O que mais você gosta de fazer que dizem que “não é coisa do seu gênero”?
Ler histórias ou ver vídeos que abordem o tema e, em seguida, criar um painel com a frase: “Cada um brinca do que quiser!”, com desenhos e colagens das crianças.
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Sequência 2 – Eu gosto, mas posso?
Objetivo:
Ensinar que gostar de alguém, de brincar junto ou de estar perto é natural, mas que todas as relações precisam de respeito e consentimento (BNCC - Consentimento e respeito às emoções e ao corpo – Competência 9).
Como fazer:
Contar uma história ou inventar uma situação com dois personagens: um que quer abraçar e outro que não quer naquele momento. Depois, debater com as crianças:
- E se a pessoa diz “não”?
- O que a gente faz quando quer carinho e o outro não quer?
- Como a gente mostra carinho sem invadir o espaço do outro?
Atividade:
Dramatizações com bonecos ou em duplas, praticando pedidos de permissão e escuta das respostas.
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Sequência 3 – O que é segredo e o que deve ser contado?
Objetivo:
Ajudar as crianças a diferenciar segredos bons (surpresas, brincadeiras) de segredos que devem ser compartilhados com adultos confiáveis (especialmente em casos de violência ou abuso) (BNCC - Consentimento e respeito às emoções e ao corpo – Competência 9).
Como fazer:
Apresentar situações fictícias:
- “Seu amigo contou um segredo de aniversário surpresa.”
- “Alguém tocou no seu corpo e pediu para você não contar.”
Debater:
Qual segredo pode ser guardado? Qual precisa ser contado?
Dica:
Utilize a metáfora do “segredo que pesa” e do “segredo leve”. Incentive as crianças a confiar nos adultos cuidadores.
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Sequência 4 – Os nomes do meu corpo
Objetivo:
Refletir sobre os nomes dados às partes do corpo, por que, muitas vezes, são apelidados, e como isso pode ser perigoso (PCN - Prevenção de abusos e comunicação de situações de risco).
Como fazer:
Listar com as crianças os nomes que conhecem para partes do corpo. Conversar sobre os nomes corretos e os apelidos mais comuns. Explicar que as partes íntimas também devem ser nomeadas corretamente — e que isso é sinal de cuidado, não de vergonha.
Atividade:
Produção coletiva de um pequeno “dicionário do corpo”, com ilustrações simples e os nomes corretos.
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Sequência 5 – O que é ser respeitoso com o outro?
Objetivo:
Promover atitudes de respeito às diferenças e aos limites dos colegas (LDB - Art. 3º: Respeito à diversidade como princípio da educação).
Como fazer:
Propor a criação de um “código de convivência da turma”, com regras feitas pelas próprias crianças. Incluir frases como:
- “Escutamos quando alguém diz não.”
- “Ninguém mexe no corpo do outro sem pedir.”
- “Cada pessoa é única e merece respeito.”
Complemento:
Utilize situações reais que acontecem na turma para reforçar o código durante o semestre.
Essas propostas ajudam a criança a compreender que o corpo, o afeto e os sentimentos são parte de quem ela é — e que devem ser respeitados, tanto em si quanto nos outros. A sexualidade, nessa fase, deve ser tratada com verdade, respeito e muito diálogo.
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3º ano do Ensino Fundamental
No 3º ano, as crianças estão mais curiosas, observadoras e questionadoras. É comum que tenham mais interesse em saber “como o corpo muda”, como nascem os bebês, por que meninos e meninas são diferentes e o que sentem quando gostam de alguém. Além disso, começam a compreender, com mais profundidade, temas como consentimento, limites e respeito mútuo.
O papel do(a) professor(a) é criar um ambiente seguro, em que essas perguntas possam aparecer sem julgamento e no qual o conhecimento seja construído com base no cuidado e na valorização da diversidade.
Sequência 1 – O corpo muda: e tudo bem!
Objetivo:
Introduzir a ideia de que o corpo humano passa por transformações ao longo da vida — e que essas mudanças fazem parte do crescimento (BNCC - Entendimento do crescimento e da puberdade – Ciências).
Como fazer:
Mostrar imagens ou esquemas (sempre respeitando o contexto escolar) de bebês, crianças, adolescentes, adultos e idosos. Conversar sobre as mudanças físicas naturais (crescimento, dentes, cabelo, corpo, altura etc.).
Dica:
Roda de conversa: “O que já mudou no seu corpo desde que você era bebê?”
Evite abordagens centradas apenas em meninos e meninas. Fale sobre transformações como parte da vida de todos.
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Sequência 2 – De onde vêm os bebês?
Objetivo:
Abordar, de forma simples e respeitosa, a questão da gestação, sem apelar para informações que fujam à compreensão infantil (BNCC - Corpo humano e reprodução na área de Ciências).
Como fazer:
Utilizar livros infantis que explicam o nascimento de forma lúdica e científica, como De onde vêm os bebês? (Andrew Andry). Focar na ideia de que os bebês se formam dentro do útero e nascem de diferentes formas (parto vaginal ou cesárea, adoção etc.).
Atividade:
Desenhar a “linha da vida”: bebê → criança → adolescente → adulto → idoso. Conversar sobre o ciclo da vida humana.
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Sequência 3 – Gosto de você, mas... posso te abraçar?
Objetivo:
Trabalhar a importância do consentimento e da escuta afetiva nas relações de amizade e carinho (BNCC - Consentimento e empatia – Competências 8 e 9).
Como fazer:
Leitura de uma história que envolva dois personagens com diferentes formas de demonstrar afeto (um mais “abraçador” e outro mais reservado). Conversar sobre como cada pessoa tem seu jeito e como isso deve ser respeitado.
Atividade complementar:
Jogo do semáforo:
🟢 Toques que podemos aceitar (abraço com permissão, beijo da vovó, carinho no cabelo);
🔴 Toques que devemos evitar ou contar a um adulto (toques sem permissão, partes íntimas, empurrões).
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Sequência 4 – Corpo é corpo: o que é verdade, o que é mito?
Objetivo:
Desconstruir crenças erradas sobre o corpo, promovendo conhecimento baseado na ciência e na valorização da diversidade corporal (PCN - Desconstrução de mitos sobre o corpo).
Como fazer:
Montar um “Jogo do Verdadeiro ou Falso” com frases como:
- “Menino não chora.”
- “Só meninas podem usar rosa.”
- “Cada corpo cresce no seu tempo.”
- “Toda menina menstrua com a mesma idade.”
- “O pênis e a vulva são partes do corpo como qualquer outra.”
Debate:
Conversar sobre as frases, explicando, com linguagem acessível, o que é mito e o que é fato.
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Sequência 5 – Se algo me incomodar, posso contar
Objetivo:
Reforçar a ideia de proteção contra violências e o direito das crianças de serem ouvidas e cuidadas (LDB - Art. 35: desenvolvimento da autonomia moral e ética).
Como fazer:
Apresentar a ideia da “rede de confiança”: quem são as pessoas que você pode procurar quando algo estiver errado? Criar um mural coletivo com os nomes ou desenhos dessas pessoas (família, professor(a), cuidador(a), vizinho(a) etc.).
Complemento:
Ler histórias como Não me toca, seu boboca! (Andrea Viviana Taubman) e promover uma dramatização de como pedir ajuda.
Essas sequências ajudam as crianças a compreenderem que o corpo muda, que os sentimentos importam e que o cuidado com os outros e consigo mesmo é uma atitude diária. Trabalhar esses temas com leveza, firmeza e escuta é parte essencial de uma educação sexual, ética e transformadora.
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4º ano do Ensino Fundamental
No 4º ano, as crianças estão mais conscientes de si, dos colegas e das regras sociais. É comum que se interessem mais profundamente pelas mudanças corporais que começam a acontecer com elas ou com seus irmãos e colegas. Também vivenciam mais diretamente situações de comparação de corpos, bullying, piadas e desinformação.
Esse é um excelente momento para ampliar o diálogo, fortalecer vínculos, desfazer preconceitos e dar nome aos sentimentos e às experiências. A seguir, cinco sequências didáticas para trabalhar com essa turma:
Sequência 1 – O que está mudando em mim?
Objetivo:
Falar sobre o início das mudanças da puberdade, de forma respeitosa, tranquila e científica (BNCC - Conhecimento sobre puberdade – Ciências).
Como fazer:
Abrir uma roda de conversa com a pergunta: “O que você acha que começa a mudar quando vamos crescendo?”. Acolher as falas espontâneas e, a partir delas, apresentar informações básicas sobre puberdade: crescimento de pelos, desenvolvimento dos seios, menstruação, ejaculação, espinhas, voz, odores etc.
Atividade complementar:
Criação de um “livrinho das mudanças” com desenhos e frases simples sobre o corpo em transformação.
Importante:
Sempre enfatizar: cada corpo tem seu tempo, não existe um jeito certo de crescer.
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Sequência 2 – Vamos falar sobre menstruação?
Objetivo:
Desmistificar a menstruação como algo “sujo” ou “vergonhoso”, apresentando-a como parte natural do corpo (BNCC - Educação sobre o corpo e mudanças – Ciências).
Como fazer:
Levar absorventes, calcinhas absorventes e mostrar, com cuidado, como são usados. Falar sobre cólicas, higiene, mudanças de humor e também sobre o que se sente ao menstruar pela primeira vez. Incluir os meninos na conversa.
Dica:
Evite fazer turmas separadas. A menstruação é um assunto de todos — e meninos precisam aprender a respeitar e acolher, não debochar.
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Sequência 3 – Piada ou preconceito?
Objetivo:
Trabalhar o respeito à diversidade de corpos, gêneros e expressões, promovendo empatia e escuta (DCNEB - Combate ao preconceito e promoção do respeito).
Como fazer:
Discutir com as crianças: “O que é uma piada?” e “Quando uma piada machuca?”. Utilizar histórias ou situações comuns em sala para refletir: apelidos, imitações de colegas, comentários sobre o corpo alheio etc.
Atividade:
Jogo de situações com as perguntas:
- Isso é engraçado ou desrespeitoso?
- Como eu me sentiria se fosse comigo?
Mensagem:
Humor sem respeito é agressão disfarçada.
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Sequência 4 – O que é abuso? Como se proteger?
Objetivo:
Ensinar, de forma segura e ética, o que é violência sexual e como as crianças podem buscar ajuda (PCN - Prevenção de violências e proteção infantil).
Como fazer:
Utilizar a metáfora das “partes do corpo cobertas por roupa íntima” como áreas que ninguém pode tocar sem necessidade. Reforçar que:
- O corpo é só dela/dele.
- Qualquer toque que incomode deve ser contado.
- Não é culpa da criança.
- Sempre há adultos de confiança para ajudar.
Atividade:
Montar a “mão da confiança” com o nome de 5 pessoas com quem a criança pode conversar se algo estranho acontecer.
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Sequência 5 – Corpos são diferentes, e isso é lindo
Objetivo:
Valorizar a diversidade corporal e combater padrões de beleza que geram sofrimento (DCNEB - Valorização da diversidade corporal e estética).
Como fazer:
Mostrar imagens de pessoas com diferentes tons de pele, pesos, alturas, tipos de cabelo, corpos com deficiência etc. Promover a reflexão: “Por que algumas pessoas são tratadas de forma diferente por causa da aparência?”
Atividade artística:
Cada criança desenha seu autorretrato com a frase:
“Eu gosto do meu corpo porque...”
Essas propostas fortalecem nas crianças o sentimento de pertencimento e o respeito às suas próprias vivências e aos dos colegas. A escola precisa ser o espaço onde elas aprendem que seus corpos são dignos, que seus sentimentos importam e que ninguém tem o direito de invadir seus limites.
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5º ano do Ensino Fundamental
No 5º ano, as crianças começam a lidar com transformações intensas — no corpo, nos sentimentos, na forma de se relacionar. É uma etapa em que dúvidas sobre sexo, menstruação, masturbação, orientação sexual e gravidez começam a aparecer com mais força, muitas vezes misturadas a informações equivocadas, vindas da internet, dos colegas ou da TV.
O papel da escola não é antecipar conteúdos nem invadir espaços de intimidade, mas oferecer informação de qualidade, segurança afetiva e caminhos éticos para o cuidado de si e do outro. A seguir, cinco sequências para esse momento desafiador e potente.
Sequência 1 – Puberdade: o que está acontecendo comigo?
Objetivo:
Explicar o que é a puberdade, suas principais mudanças e como lidar com elas de forma natural (BNCC - Mudanças do corpo e autocuidado – Ciências).
Como fazer:
Roda de conversa sobre as mudanças que as crianças já estão percebendo: seios, espinhas, pelos, menstruação, crescimento, mudanças de humor etc. Usar recursos visuais e materiais de apoio confiáveis.
Atividade:
Criar um “guia do corpo em mudança”, com linguagem simples e ilustrações feitas pelas próprias crianças.
Importante:
Evitar discursos de vergonha ou medo. O corpo que muda é sinal de vida, saúde e crescimento.
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Sequência 2 – Curiosidades sobre sexo: posso perguntar?
Objetivo:
Abrir um espaço ético para escuta e resposta de dúvidas reais, sempre com cuidado e respeito à faixa etária (LDB - Formação crítica e ética do educando – Art. 35).
Como fazer:
Caixa de perguntas anônimas: as crianças escrevem dúvidas que têm (sem se identificar). O(a) professor(a) seleciona algumas para responder com linguagem acessível e científica. Podem ser incluídas questões como: “O que é transar?”, “Por onde sai o bebê?”, “Menino pode gostar de menino?”
Dica:
Não ridicularize nenhuma pergunta. Diga sempre: “Essa é uma dúvida importante. Vamos conversar com respeito.”
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Sequência 3 – O que é estar apaixonado(a)?
Objetivo:
Trabalhar o tema da afetividade, das emoções e do respeito às escolhas do outro (BNCC - Educação emocional e afetiva – Competência 9).
Como fazer:
Conversar sobre o que significa gostar de alguém, como lidar com sentimentos de rejeição, como respeitar quando o outro não sente o mesmo. Falar sobre ciúmes, bullying afetivo, forçar beijo e espalhar fofoca.
Atividade:
Construir um “dicionário dos sentimentos”: cada criança define, com suas palavras, o que entende por amizade, carinho, respeito, paixão.
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Sequência 4 – Redes sociais, vídeos e o que não é da nossa idade
Objetivo:
Alertar sobre os perigos do consumo precoce de conteúdos sexualizados e de fake news sobre sexualidade (DNCEB - Uso ético da informação e proteção digital).
Como fazer:
Debater com os alunos: “Você já ouviu algo na internet sobre sexo que te deixou confuso(a) ou com vergonha?”
Falar sobre pornografia, desafios perigosos, vídeos falsos, cyberbullying e exposição.
Reforço:
- Nem tudo que está na internet é verdade.
- Nosso corpo não deve ser exposto.
- Quando tiver dúvida, procure um adulto de confiança.
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Sequência 5 – Quando dizer não é proteger a si mesmo(a)
Objetivo:
Ensinar as crianças a reconhecer situações de abuso e desenvolver estratégias de proteção e denúncia (PCN - Educação para prevenção de abusos).
Como fazer:
Simular situações (sem exposição ou medo) e perguntar: “E se alguém toca você sem permissão?”, “E se te pedem para guardar um segredo estranho?”, “E se alguém manda fotos inadequadas?”
Atividade:
Criar um plano de segurança:
- Quem são meus adultos de confiança?
- Onde posso pedir ajuda?
- O que posso fazer se me sentir em perigo?
Dica:
Traga a Lei nº 13.431/2017 como base: a criança tem o direito de ser ouvida e protegida.
Esse ciclo fecha a proposta com um chamado claro: educação sexual é cuidado, proteção, respeito e construção de vínculos saudáveis. Ao longo desses ciclos, é possível ver que não se trata de ensinar sexo, mas de ensinar a viver com o corpo, com os sentimentos e com o outro de forma ética, segura e amorosa.