Pausado

Andréa

Mulher, mãe e amiga com sua história de
entendimento e amor

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Sou Andréa Cruz Ramos da Silva, tenho 46 anos.

Sou uma mãe bem dedicada. Tenho três filhos, e para mim os três são iguais. Sempre tenho que fazer tudo igual para eles. Gosto muito de trabalhar, conversar, fazer amizades, passear e viajar. Amo praia, gosto de passear por lá.

Nasci em Campinas. Quando tinha 5 anos, perdi meu pai, que faleceu de Chagas. Fui criada com a minha mãe e com a minha irmã mais velha. Logo minha irmã casou, teve meu sobrinho, e a gente morava todos juntos. Mas, na verdade, fui criada mais pelos meus padrinhos, que eram patrões da minha mãe. Eles eram minha vida, os dois.

Minha infância foi maravilhosa, com os meus padrinhos, minha mãe, meus avós e meus primos.

Sou considerada a encrenqueira da família, porque gosto de reunir a família, até mesmo para viajar.

Quando completei 15 anos, minha mãe conheceu uma pessoa e foi morar com ela. Eu continuei morando com a minha irmã.

Com 13 para 14 anos conheci meu esposo. Tivemos dois filhos, o Murilo e a Mayara. Mas, quando a Mayara tinha apenas 4 meses de vida, ele faleceu de câncer.

Depois de cinco anos sozinha, conheci o Luciano e tivemos o Mateus.

Na adolescência, como comecei a namorar cedo, eu saía para vários lugares. A gente passeava muito. Na época tinha muitos comícios, festa da uva. Eu estudava à noite e também trabalhava na feira.

Eu e o Bola, meu marido, éramos muito família. Visitávamos bastante os parentes, de ambas as partes. Também gostávamos de sair: pagode, discoteca, balada. Sempre bem enturmados, com muitos amigos. Era uma fase saudável e gostosa. Então, mesmo ouvindo gente falar: "Ah, você começou a namorar cedo", eu gostei muito. Aproveitamos bem a vida. Com 7 anos de namoro, fiquei grávida do Murilo. Nós nos casamos, compramos nossa casa, nosso carro, e então decidimos ter a Mayara. Ela veio como uma bênção. Só que, quando estava tudo bem e feliz, com 3 meses de vida dela descobrimos o câncer do meu marido, e ele acabou falecendo.

Foi muito duro para mim, porque ele era tudo: meu primeiro namorado, meu amigo, meu companheiro. E, de repente, ele se foi, e eu fiquei perdida. Voltei a morar com a minha irmã, porque não dava conta de cuidar da Mayara sozinha. Depois disso, minha mãe faleceu, meus padrinhos faleceram, meus avós também. E aí foi ficando cada vez mais difícil e triste para mim.

Só que aí conheci o Luciano e veio a bênção na minha vida, que é o Mateus. Com ele, completei meus três "M"s: Murilo, Mayara e Mateus. E ainda tem o Miguel, meu afilhado, meu sobrinho de um ano e pouco. O Miguel também é minha vida, sou apaixonada por ele. Eu falo que ele é o lado zen da minha vida.

Eu sempre quis ser mãe. Sempre falava que queria me casar, acho que isso era coisa da minha madrinha. Na minha infância, eu brincava de boneca. Quando comecei a namorar, ainda tinha minhas bonecas. E eu falava que queria me casar e ter, no mínimo, três filhos. Depois, quando tivesse minha vida estável, eu também queria adotar uma criança. Sempre falava isso.

Quando eu namorava, tive uma gravidez psicológica. Fui ao médico, fiz exame, e ele disse que era psicológico. Mandou eu parar de tomar anticoncepcional para dar uma limpada no meu útero e pediu um ultrassom. Quando viu o exame, disse que eu nunca engravidaria, porque teria que fazer um tratamento muito caro, já que meu útero era virado e eu tinha endometriose.

Parei de tomar o remédio e de me prevenir. Depois de uns quatro meses, comecei a me sentir estranha. Fui sozinha à ginecologista. Quando me examinou, ela percebeu que eu estava grávida, e já estava bem grandinho. Pediu um ultrassom o mais rápido possível e foi nesse dia que descobrimos o sexo do neném: era o Mateus.

A Mayara também veio pouco depois de eu parar o anticoncepcional, tinha só dois meses e meio. Só que, como o Bola faleceu, fiquei muito nervosa. Cheguei a menstruar por mais de 50 dias seguidos. Foi aí que eu fui ao médico e levei a Mayara junto, porque ela também sentia muita dor na barriga. Fomos fazer ultrassom no mesmo dia: primeiro ela, depois eu. Quando o médico terminou meu exame, perguntou se a Mayara era minha filha. Eu disse que sim. Então ele perguntou qual tratamento eu havia feito. Respondi que nenhum. O médico ficou surpreso, e quando falei que tinha o Mateus, ficou mais espantado ainda. Aí acreditamos que foi realmente um milagre para mim.

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Teve uma vez também que eu e o Luciano nos afastamos. Tivemos uma recaída e, nessa vez, eu não me preveni, já nem lembrava mais de tomar as injeções. Ele foi embora, passou um tempo, e de novo comecei a me sentir estranha. Eu resisti muito à ideia, porque já não tinha mais idade para engravidar, estava sozinha e não queria mais ninguém. Quando contei para o Luciano, ele achou que era conversa minha para tentar voltar para ele. Não acreditava muito em mim.

Até que um dia ele foi comigo ao médico. Quando constatou que eu estava mesmo grávida, o médico disse que era uma menina e já pediu o exame morfológico. Isso foi bem na época da pandemia.

Quando fui fazer o exame morfológico, o médico falou: "Olha, seu filho, para começar tem quatro problemas. Primeiro: não é menina, é menino. Segundo: tem osso nasal curto. Terceiro: tem uma mancha no coração. E quarto: não tem estômago”.

Eu fiquei sem chão. A enfermeira pediu para eu ir para uma sala esperar o resultado, que ela levaria para mim. E comecei a me questionar: "Gente, como assim eu vou ter um bebê sem estômago? Coisa no coração? O que é osso nasal curto? O que é isso?” Na hora que eu saí na recepção, cadê o Luciano? Até então ele estava ali, me dando todo apoio. Pensei: "Nossa, chamaram ele, falaram isso, ele foi embora, voltou para Franca, me abandonou”.

Eu chorava muito naquela recepção. De repente, ele apareceu dizendo que estava no banheiro. Contei tudo para ele, e ele me disse: “Calma, nosso filho é lindo. Você vai ver, vai dar tudo certo. Vamos por partes, vamos procurar as coisas certas. Vamos sair desse lugar”.

Quando eu soube da síndrome de Down, eu rejeitei o Mateus. Eu não o queria. Eu dizia que estava velha, que não queria filho “doente”. Pensava que depois eu ia morrer e ele ia ficar aí, porque ninguém cuidaria dele. Foi uma fase muito ruim para mim.

Na época, eu trabalhava com uma amiga de muitos anos. Como era pandemia, eu não via ninguém. Me coloquei numa bolha, eu não queria saber de ninguém.

Eu chegava primeiro na empresa, me trocava para ninguém me ver, porque eu tinha vergonha. Eu me transformei de um jeito que não era eu.

Até que acordei. Tive aquele despertar. Foi quando comecei a fazer os exames de acompanhamento: cardiopatia, líquido amniótico para o cariótipo. Fui fazendo tudo, processando e entendendo.

Mas nesse processo, rejeitei muito o neném. Eu não deixava ninguém chegar perto da minha barriga, nem de mim. Até mesmo o Luciano: eu não gostava muito, mas deixava chegar perto.

Por várias vezes eu acordava e dizia: "Luciano, esse menino está morto aqui na minha barriga. Ele não mexe, ele está morto. Vamos lá no hospital". Por várias vezes eu falava isso. As pessoas me questionavam se eu não tinha vergonha de dizer essas coisas, mas eu realmente não tinha. E até hoje não sei explicar o que aconteceu comigo para ter ficado tão arredia.

No dia de fazer os exames, vi algumas mães com seus bebês no colo e comecei a me questionar: "Gente, o que está acontecendo comigo? Eu nunca fui assim”. Sempre gostei muito de criança. Eu e o Bola cuidávamos dos filhos das minhas amigas para elas saírem.

Aí eu fui ao banheiro, comecei a passar a mão na minha barriga e conversar com o Mateus. Pedi desculpas, perdão, e o meu coração transbordava. E, nessa hora, ele mexeu. Tanto que, no ultrassom, deu para ver ele se mexendo mais do que de costume.

Comecei a aceitar. Até mesmo no trabalho, minhas amigas Vaninha e a Cecília notaram que eu estava diferente e diziam: “Deia, você voltou. Você é a minha amiga que eu sempre amei do jeito que era. Você não estava desse jeito."

Foi quando comecei a aceitar o Mateus e a permitir que as pessoas chegassem mais perto de mim. Nas outras gestações, sempre deixava que tocassem na minha barriga, mas, dessa vez, não sei o que aconteceu comigo.

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Depois que aceitei, passamos a aproveitar dentro do que era possível durante a pandemia. Infelizmente, não teve chá de bebê e nem reunião com a família, porque tudo aconteceu nesse período. Sofremos muito com o isolamento.

Sobre o nascimento do Mateus: o parto estava programado para o dia 7 de agosto, mas eu passei mal de madrugada. De manhã, eu tinha consulta às 8 horas da manhã com o doutor. Lembro que, por volta das 6:30 fui ao banheiro, fiz xixi e saiu sangue. Avisei o Luciano que eu estava sangrando, mas como não estava sentindo nada, ele sugeriu esperarmos dar 8 horas.

Fui tomar banho e me arrumar. No caminho para o consultório, comecei a sentir algumas dores. Quando cheguei, a médica disse que eu estava entrando em trabalho de parto e que deveria ir imediatamente para a maternidade, por conta da minha endometriose e pressão alta.

Sofri muito nesse parto: tive muitas dores e contrações, mesmo sendo cesárea. O Mateus nasceu por volta das duas horas da tarde e, graças a Deus, correu tudo bem. A equipe toda da maternidade foi super bacana. A psicóloga foi até a gente e conversou comigo e com o Luciano sobre a síndrome de Down. Foi um momento muito bacana. Também conversamos com a Rafaela e a Maíra.

O geneticista que fez o cariótipo confirmou que estava tudo certo com o Mateus. Ele não apresentou nenhuma cardiopatia. Aquela mancha no coração que o médico havia visto no início da gestação era, segundo a doutora, apenas uma alteração na formação que depois desapareceu.

Na gestação, o gerente da empresa onde eu trabalhava teve um filho cardiopata e me indicou a médica que acompanhou os filhos dele. Tanto ele quanto a empresa me deram todo apoio. Meus amigos e minha família também.

No começo, por causa da pandemia, o Mateus não ia com ninguém, só queria eu e o Luciano. Agora, depois que entrou na creche, se desenvolveu muito mais. Até em festas ele aproveita: brinca o tempo todo nos brinquedos.

Eu e o Luciano estamos conversando sobre eu voltar a trabalhar. Quando o Mateus nasceu, não voltei porque estávamos na pandemia, não havia creche e eu não tinha com quem deixá-lo. O Luciano sugeriu segurar as pontas financeiramente para que pudesse cuidar dele. Íamos sempre à Fundação Síndrome de Down, onde fazia as terapias. Desde então, não trabalhei mais.

Mas eu sinto falta, porque sempre trabalhei. Com 13 anos já ia para a feira. Depois da feira, meu marido me colocou em uma empresa de doces. Só saí porque a empresa fechou e foi transferida para Curitiba. Logo arrumei outro emprego, em outra empresa, e trabalhei bastante tempo nesse meio.

E tem uma história muito linda de uma menina que faz acompanhamento na Fundação. Hoje ela está com 44 anos. Na época, eu trabalhava na empresa e fiquei grávida da Mayara. A gente mexia com química, com matéria-prima de remédio mesmo. Então, um colega do trabalho falou: "Deia, você não pode mais entrar. A gente vai fazer alguma coisa para você fazer por aqui mesmo". E ela falou: "Olha, vai entrar uma mocinha e ela precisa de uma ajuda.” Foi quando a moça com síndrome de Down entrou na empresa. Foi o meu primeiro contato com uma pessoa com síndrome, eu não sabia como ensinar. Me explicaram que ela era totalmente independente, com muita autonomia, e que o que eu precisava ensinar era apenas o trabalho manual. Então fui acompanhando ela todos os dias, até que nos apegamos muito uma na outra.

No ano passado, em dezembro, participei de uma palestra na Fundação e a reencontrei junto com os pais dela. Perguntei à mãe dela se realmente era a mesma moça que havia trabalhado comigo, e ela confirmou, dizendo que a filha sempre falava muito de mim. Infelizmente, hoje ela enfrenta problemas de memória e não me reconheceu, mas eu a reconheci, mesmo depois de 15 anos. Foi muito emocionante: abracei, beijei e pude revê-la.

Quanto à minha relação com o Luciano, ele se dá bem com o Murilo e com a Mayara. É uma pessoa maravilhosa. Eu falo que ele tem cinco filhos: Murilo, Mayara, Mateus e os dois gatos. A gente se dá muito bem, ele com os meninos, Murilo e Mayara também, e ele é um paizão para o Mateus. Faz tudo: troca, leva para passear, ele é bem participativo na vida das crianças.

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Na Fundação, ele sempre quer ir junto. Trabalha como vigilante no período noturno justamente para conseguir acompanhar o Mateus nas coisas dele. Nós nunca estamos sozinhos: sempre eu e ele, e a Mayara também. Quando tem atividade na Fundação, a Mayara vai junto. Nos finais de semana, sempre que vamos passear, a Mayara pede para levar algum amiguinho, então nossa casa está sempre cheia. O Luciano é bem parceirão.

Eu estou precisando me cuidar mais. A questão financeira também pesa um pouco, mas tenho minha grande amiga Marcela, que faz unha. Quando vou até ela, como diz Luciano, são “cinco horas de unha”, porque conversamos muito, até porque já são anos de amizade.

Eu sempre gostei de conversar, de tomar um café da tarde. Minha amigona Leia também. Infelizmente, ela foi demitida do emprego. Aí a gente já está combinando de tomar um café da tarde, assim que o Mateus for para a creche, a gente vai no shopping.

Eu preciso disso, porque, apesar de eu e o Luciano sermos muito parceiros, a gente está muito junto também. Só que tem uma hora que a gente precisa… O Luciano ainda sai para trabalhar. Ele não é que nem eu, que gosto de conversar, ele é mais na dele. Ele tem um churrasco com os amigos, ele vai lá e fica com os amigos dele.

Para mim é mais puxado, até porque o Mateus está numa fase que tem que ficar perto, tem que cuidar. Eu queria sair um pouco mais para me cuidar: fazer cabelo e unha, por exemplo. Estou bem relaxada quanto a isso. Também estou precisando fazer uma caminhada.

Quanto ao preconceito, por incrível que pareça, foi pior com a Mayara do que com o Mateus. Como o pai dela, o Bola, era negro, a Mayara também é negra e tem o cabelo bem black. Por conta disso, ela sofre muito. Sofre muito mesmo. Com três aninhos, ela foi à festa fantasia da escola. Minha irmã trabalhava de empregada doméstica, duas vezes por ano, ela ia à Disney, trazia vestidos lindos para filha e trouxe para Mayara um da Branca de Neve.

Mayara adorou o vestido e foi toda feliz para a escola. Deixei ela na escola e fui trabalhar, porque com três anos e meio eu não aguentei mais ficar em casa. Quando o Bola morreu, eu ainda estava de licença e não voltei a trabalhar.

Tinha medo de morrer e deixar eles também. E o Murilo me deu muito trabalho, era muito grudado com o pai dele. Hoje a gente já ia em um psicólogo, psiquiatra, essas coisas. E com 3 anos e meio eu fui trabalhar.

Voltando à Mayara. Quando cheguei no trabalho, meu celular tocou: a Mayara estava em prantos. Voltei à escola e descobri que uma colega havia dito que ela não poderia se vestir de Branca de Neve porque era negra. Ela chorou muito. Três aninhos. Três e pouquinho.

Na primeira série, os meninos a chamaram de “cabelo bombril”. Uma vez, encontrei no sofá um tufo de cabelo: ela mesma havia cortado, porque os meninos a chamaram de “cabelo bombril”.

Ano passado, já com 14 anos, ela chegou chorando em casa porque um menino zombou do cabelo dela dentro da perua escolar.

Hoje ela usa tranças, mas não aceita o próprio cabelo natural. Por isso, digo que o maior preconceito que enfrento não é com o Mateus, por incrível que pareça. Ele não sofre preconceito na creche, que é muito boa, as crianças brincam com ele normalmente. O meu maior sofrimento com preconceito é com a Mayara.

Meu maior medo hoje é morrer e deixar o Mateus. O Murilo e a Mayara já são grandes, mas o Mateus ainda é indefeso. Agora ele está mais independente, antes dependia de mim para tudo, até para comer. Hoje já tem um pouco mais de autonomia, mas ainda não fala nada. Por isso, tenho medo de alguém judiar. Aí eu falo: "Não, não quero morrer agora. Deixa ele ficar mais independente".

Meu maior sonho é comprar um carro, para passear mais e poder proporcionar mais passeios para meus filhos e a família.

O Mateus representa para mim aquela estrela que a gente coloca no topo da árvore de Natal. Ele é essa estrela: ilumina não só nós cinco, mas ilumina a família toda. Meus irmãos, irmãs, sobrinhos, tias e primos.

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Parece que quando Mateus nasceu uniu mais a família. Talvez tenha sido por conta da pandemia, que deixou tudo mais apagado, até o grupo da família no celular tinha virado só mensagens de “bom dia”.

Quando teve a descoberta do Mateus, comecei a falar no grupo porque era mais fácil conversar com todo mundo ao mesmo tempo. Aí parece que o grupo acordou, todos os integrantes foram interagindo muito mais. E continua assim desde então. A pandemia foi boa nesse sentido.

Quando o Luciano vai trabalhar, o Mateus pega meu celular para falar com o pai dele. Desde quando Mateus era bebê, o Luciano faz videochamadas para ele do trabalho: "Ah, Mateus aqui, tomou banho, fez isso, fiz aquilo?". Eu sou muito assim.

Mas teve uma vez que fiquei com raiva, porque o Luciano não dividiu um momento do Mateus comigo: a primeira vez dele na praia. A casa em que estávamos era em frente à praia, fui arrumar as coisas e o Luciano foi com ele para a praia sem mim. Queria ter visto ele chegar à praia pela primeira vez.

Mateus começou a andar aos três anos, com a fisioterapeuta que faz o acompanhamento dele na Fundação. Ela o levou na recepção e mostrou ele andando, peguei o celular para filmar seus primeiros passos. Falei para ela: "Nada mais justo, desde bebê você ensina a andar. E foi com você que ele começou a caminhar."

Eu sou muito grata à Fundação, porque desde o momento em que a assistente social e a psicóloga entraram em contato comigo na pandemia, a gente já começou a falar no telefone por horas, eu estava muito mal mesmo. Entrei em profunda depressão e isso me ajudou muito. Mesmo na pandemia, toda semana tinha um acompanhamento, fazíamos videochamada, foi o que me ajudou a superar a rejeição que tinha pelo Mateus. Ajudaram-me a mim e ao Luciano, foi muito gratificante isso, me senti totalmente acolhida. Quando o Mateus nasceu, fizeram videochamada para conhecer ele. Até hoje o Mateus ama a Fundação. Sou muito grata mesmo à toda equipe da Fundação.

Para finalizar, os bons acontecimentos na minha vida com certeza são com meus filhos. Eles são tudo para mim. Minha família é tudo para mim. Amo de paixão minha irmã, ela que cuidou de mim, enquanto minha mãe trabalhava, e ela tem dois filhos. E para mim a felicidade é o Miguel. Minha sobrinha está grávida, então é uma felicidade imensa na nossa família. No próximo mês, minha irmã vai completar 40 anos de casada, a gente vai celebrar.

Notas de rodapé